Política

Delação de Lessa é “só retórica”, afirma defesa de ex-chefe

A defesa de Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do RJ, contestou a delação de Ronnie Lessa no contexto do caso Marielle Franco. Durante sustentação oral no Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa alegou que a delação é “só retórica” e carece de provas concretas que liguem Rivaldo ao assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes.

Delação Premier e Fragilidade da Acusação

A defesa enfatizou que a argumentação apresentada por Ronnie Lessa, já condenado por realizar os disparos fatais, não trouxe elementos que conectem Rivaldo ao crime. Eles afirmaram que a acusação se sustenta em uma narrativa sem bases comprováveis, tornando-a “só retórica”, sem a devida sustentação probatória.

Investigações e Inquéritos sem Provas

Os advogados do ex-chefe da polícia ressaltaram que a própria investigação reconheceu a falta de motivação para a suposta participação de Rivaldo. Segundo eles, a acusação presume que por ele ocupar cargos de liderança, deveria ser considerado corrupto e envolver-se com a milícia, mas “corrupção se prova”, não se presume.

Os defensores lembraram que diversas operações e investigações empreendidas não encontraram testemunhas ou provas que implicassem Rivaldo como corrupto ou envolvido em atividades ilícitas. “Houve vários inquéritos, um sem-número de operações deflagradas, e não encontraram uma única pessoa que diga que Rivaldo é corrupto”, afirmaram.

Teoria da Conspiração e Nomeação de Delegado

A defesa comentou sobre a nomeação de Giniton Lages para conduzir as investigações, argumentando que esse ato deslegitima a premissa de que Rivaldo buscava garantir impunidade no caso. Os advogados defenderam que não faz sentido que um plano tivesse dependido de alguém que assumiu a liderança poucos dias antes do crime. “Esse elo é retórica, não é lógica”, disseram, questionando a validade das suposições feitas pela acusação.

O julgamento, que ocorreu oito anos após o crime, envolve vários acusados, entre eles Domingos e João Francisco Brazão, além de outros indivíduos supostamente envolvidos como mandantes do assassinato de Marielle e Anderson.