Política

Trabalhe para prender quem roubou o RJ, diz Lula a governador

Trabalhe para prender quem roubou o RJ, diz Lula a governador

Em sua agenda no Rio de Janeiro neste sábado (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elogiou o governador interino, desembargador Ricardo Couto, e pediu que ele “trabalhe para prender todos os ladrões que governaram este estado”. Esta declaração foi feita durante a inauguração das novas instalações da Fundação Oswaldo Cruz, que celebra 126 anos na próxima segunda-feira (25), e a entrega de 42 veículos do Programa Agora Tem Especialistas.

Enquanto discursava no evento, Lula pediu que Ricardo Couto, que fez uma rara aparição pública e se posicionou ao lado do presidente, se manifestasse sobre a situação do estado. O governador interino, contudo, adotou uma postura discreta, mantendo-se em silêncio junto ao presidente, longe dos demais autoridades presentes.

“Ninguém está esperando que você faça um viaduto, uma ponte, uma praia artificial. As pessoas esperam que você trabalhe para prender todos os ladrões que governaram este estado, que fazem parte de uma milícia organizada”, destacou Lula. O presidente enfatizou a gravidade da situação, afirmando que “não é possível ouvir que o crime organizado tomou conta dos territórios”. Ele convocou todos a se unirem na busca por reverter essa realidade e “devolver os territórios ao povo do Rio de Janeiro”.

Couto assumiu o Palácio Guanabara em março, após a saída de Cláudio Castro (PL). A posse de Couto ocorreu em meio à análise do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre ações que tornaram o ex-governador inelegível por oito anos, devido a abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Couto, como novo governador do estado, enfrentou desafios consideráveis logo após sua posse. Lula utilizou de sua fala para lembrar que “muitas vezes, o governador fica refém da polícia e não se liberta mais”. O presidente ressaltou que Couto foi indicado e, por isso, não deveria se deixar limitar pelas pressões da Assembleia Legislativa, insinuando que, se dependesse dela, poderia haver um “miliciano” como governador. Lula pediu que aproveitasse a oportunidade atribuída a ele e fosse forte o bastante para “ajudar a consertar esse estado”, o que, segundo ele, é o que o povo realmente espera.

Desde que assumiu o governo, Couto iniciou um processo de exonerações, focando principalmente nas secretarias de Governo e da Casa Civil. A decisão parece ser parte de uma estratégia para realizar um “pente-fino” nos contratos, serviços e folhas salariais da administração anterior.

Esta foi a sexta visita de Lula ao Rio de Janeiro neste ano, com o objetivo de aumentar sua presença em um território considerado um reduto eleitoral importante para seu principal adversário na corrida eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia de Lula busca solidificar sua base e reafirmar sua mensagem política em um estado enfrentando desafios significativos ao longo da gestão de diferentes governantes.

O evento contou com a presença de outras figuras importantes, como a primeira-dama Janja da Silva, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e diversos parlamentares da base governista, destacando a relevância do encontro e a necessidade de uma ação conjunta entre os representantes do governo federal e estadual.

O discurso de Lula enfatiza não só as promessas de combate à corrupção, mas também um apelo emocional e cívico à população fluminense, ressaltando a necessidade urgente de enfrentamento ao crime organizado e a conexão entre governo e sociedade. O presidente deixa claro que tanto o governo quanto a população têm um papel fundamental na reconstrução do estado do Rio de Janeiro, iluminando o caminho para um futuro de esperança e recuperação.