Há 40 anos, cinco jatos da FAB (Força Aérea Brasileira) foram enviados para perseguir ao menos 21 objetos voadores não identificados no Brasil. O episódio, que aconteceu no dia 19 de maio de 1986, ficou conhecido como “noite oficial dos OVNIs” ou “noite dos discos voadores”.
De acordo com os registros do Ministério da Justiça, naquele dia, os objetos foram detectados pelos radares do Cindacta (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo). No entanto, os caças da FAB não tiveram sucesso em capturá-los.
Segundo o Ministério, o episódio teve início quando o operador da torre do Aeroporto de São José dos Campos (SP) observou pontos luminosos que mudavam de cor, com a predominância da tonalidade vermelha, e perguntou ao piloto da torre se ele também “estava vendo a mesma coisa”.
Com a confirmação do piloto, a Torre de Controle de São Paulo captou sinais sem identificação, momento em que o Cindacta detectou Ovnis nos radares de Goiás, de São Paulo e do Rio de Janeiro.
“Por causa da velocidade dos objetos, o Coda (Centro de Operações de Defesa Aérea) decidiu enviar os caças para persegui-los e interceptá-los. Porém, nenhum dos cinco caças conseguiu chegar perto dos OVNIs”, concluiu o ministério.
A importância da Noite dos OVNIs
A “Noite dos OVNIs” teve grande repercussão no Brasil e no mundo, gerando uma onda de curiosidade sobre a natureza dos fenômenos avistados. Muitas pessoas começaram a questionar o que realmente poderia estar acontecendo no céu brasileiro. Para alguns, aquela noite representou um ponto de virada na maneira como os fenômenos aéreos eram vistos e discutidos na sociedade.
Neste contexto, a participação da FAB e a decisão de mobilizar cinco caças em busca dos OVNIs também ajudou a legitimar a discussão sobre o que seriam esses objetos. Em uma época em que a tecnologia não era tão avançada quanto a de hoje, a detecção de tais objetos pelos radares causou estranheza e fascínio.
Depoimentos de pilotos brasileiros
No relatório do ocorrido feito pelo Comando Aéreo de Defesa Aérea do Ministério da Aeronáutica, assinado pelo brigadeiro José Pessoa Cavalcanti Albuquerque, é relatado que “os fenômenos são sólidos e refletem de certa forma inteligência, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores como também voar em formação, não forçosamente tripulados”.
Os depoimentos dos pilotos envolvidos nesse episódio evidenciam o caráter incomum da situação. Muitos relataram experiências que desafiaram suas compreensões de voo e segurança aérea, levando a situações de tensão e mistério durante a perseguição. A impressão de que aqueles objetos poderiam ser algo além do que olhos humanos estavam habituados a ver era um fator crítico para a mobilização.
Arquivos e investigações sobre OVNIs
O Arquivo Nacional possui em seu acervo ao menos 743 registros sobre a aparição de OVNIs no Brasil, entre 1952 e 2016. Isso demonstra que o avistamento de objetos não identificados não foi um evento isolado, mas parte de uma realidade muito mais complexa.
“Isso não quer dizer que foram vistos 743 discos voadores e sim qualquer objeto no céu que não foi possível descobrir de imediato sua origem natural. Ou seja, um Ovni nesse caso pode ser um drone, uma estrela, um satélite, um balão meteorológico ou até mesmo um fenômeno natural”, explica o Ministério da Justiça.
Esses registros abrem espaço para análises mais aprofundadas sobre o que realmente está por trás dos avistamentos. A busca por respostas continua, assim como o fascínio das pessoas sobre o desconhecido e os fenômenos que desafiam a lógica.


