Milhões de brasileiros devem assistir à entrada das estrelas de cinema no Dolby Theatre para a cerimônia do Oscar neste domingo, na esperança de ver um dos seus conquistar a estatueta dourada pelo segundo ano consecutivo.
O filme brasileiro “O Agente Secreto” recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo a primeira indicação de um brasileiro a Melhor Ator para Wagner Moura, que ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama nesta temporada. O reconhecimento vem um ano depois de “Ainda Estou Aqui” ter conquistado o primeiro Oscar da história do país, na categoria de Melhor Filme Internacional, gerando orgulho e entusiasmo na nação de 213 milhões de habitantes.
Este ano, o cineasta brasileiro Adolpho Veloso está indicado por seu trabalho em “Sonhos de Trem”.
O crescimento do cinema brasileiro
Entrevistas com uma dúzia de diretores, produtores, executivos e analistas mostram que duas décadas de investimento governamental, incluindo um valor recorde de US$ 267 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão) da Ancine (Agência Nacional do Cinema) no ano passado, ajudaram o Brasil a aumentar o número de longas-metragens produzidos, ampliar as parcerias internacionais e aproveitar o influxo de capital dos serviços de streaming que buscam aumentar o número de assinantes.
No entanto, com a mudança nas prioridades orçamentárias e a iminência de uma eleição que pode trazer de volta os conservadores céticos em relação ao financiamento do cinema, muitos no setor temem que o apoio governamental não seja sustentável.
Ainda assim, as exportações brasileiras de serviços audiovisuais cresceram 19% ao ano entre 2017 e 2023, atingindo US$507 milhões, segundo estudo encomendado por sua Associação Cinematográfica. Há quem espere que a indústria cinematográfica brasileira possa seguir os passos de gigantes globais do entretenimento, como a Coreia do Sul, que exporta bilhões de dólares anualmente em conteúdo, em parte devido ao substancial apoio governamental.
O momento do Oscar para a indústria cinematográfica brasileira destaca uma “tempestade perfeita” de maturidade, talento e grandes histórias, disse Josephine Bourgois, diretora executiva do Projeto Paradiso, uma organização sem fins lucrativos que apoia a divulgação do cinema brasileiro para o público global.
Desafios e oportunidades no setor
A popularidade do Brasil muitas vezes é prejudicada por sua imagem de lugar difícil para se fazer negócios, com mudanças abruptas de políticas, volatilidade cambial e infraestrutura deficiente. No entanto, o clima tropical e os ritmos cativantes continuam a interessar o público estrangeiro.
No final da década de 1990, o Brasil começou a mudar essa imagem com uma trajetória extraordinária no Oscar, quando o diretor Walter Salles, quase fez história com “Central do Brasil”. O filme foi indicado a Melhor Filme Estrangeiro e a estrela Fernanda Montenegro se tornou a primeira brasileira a ser indicada a melhor atriz. O sucesso em premiações gerou sucesso nos negócios, atraindo projetos para produtoras novas e estabelecidas.
Explosão do streaming e futuro promissor
Com o crescimento da indústria cinematográfica no Brasil, o boom global do streaming trouxe novas oportunidades. Executivos de empresas como Netflix, Warner e Amazon reconhecem o potencial do público brasileiro, que é extremamente engajado.
A Netflix, por exemplo, informou que as visualizações globais de conteúdo brasileiro cresceram 60% no segundo semestre de 2025. Entre as produções, destacam-se obras que exploram temas relevantes da sociedade brasileira, como o legado da ditadura militar.
Atores, produtores e diretores estão agora pressionando por regulamentações que promovam uma maior participação de conteúdo local nos serviços de streaming, buscando assegurar o futuro da indústria. Isso inclui a adaptação de programas e novelas para o mercado internacional, refletindo um desejo de expandir a influência cultural do Brasil.
