A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a morte da jovem Mariana Tanaka Abdul Hak, de 20 anos, atropelada em Ipanema, na zona Sul do Rio, no último sábado (16). Este trágico acidente trouxe à tona não apenas a dor da perda, mas também questões de segurança nas ruas e a responsabilidade de motoristas.
Mariana é filha dos diplomatas Ibrahim Abdul Hak Neto, atualmente assessor especial no gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e Ana Patrícia Neves Abdul Hak, cônsul-adjunta do Brasil em Buenos Aires. Ana Patrícia estava com a filha no momento do acidente e ficou ferida.
Conforme informações do boletim de ocorrência, o motorista de uma van de entrega de mercadoria online atropelou três pessoas ao avançar na calçada da rua Vinícius de Moraes. O motorista declarou à polícia que o volante do veículo travou, impossibilitando a mudança de faixa, e por isso subiu na calçada, onde estavam as vítimas.
Mariana foi socorrida ao Hospital Municipal Miguel Couto, em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no domingo (17), enquanto sua mãe foi atendida na mesma unidade e recebeu alta médica.
Outro homem também estava na calçada no momento do acidente e ficou ferido, mas não há informações sobre o estado de saúde dessa terceira vítima, nem se ele era amigo de Mariana e sua mãe.
Vale ressaltar que Mariana havia retornado da Europa no mesmo dia do acidente. Com um futuro promissor à sua frente, a jovem tinha assinado um contrato com uma empresa multinacional para atuar no setor de cosméticos. Mariana cursava Administração de Empresas na ESCP Business School, em Turim, e tinha experiências de vida em diversos países, incluindo Reino Unido, Venezuela, Bélgica, Líbano e França.
Dinâmica do acidente em Ipanema
De acordo com depoimento de um homem que também foi atingido pela van, Mariana estava de costas para a rua quando o veículo a atingiu. Ele declarou que não ouviu barulho de freada, o que levanta questões sobre a responsabilidade do motorista.
Informações da Polícia Militar indicam que não havia marcas de freio no asfalto, o que pode sugerir que o motorista não tentou parar antes de causar o acidente. Essa evidência deve ser crucial para a investigação em andamento.
A ocorrência foi registrada como lesão corporal culposa e está sendo investigada pela 14ª DP (Leblon). A perícia foi acionada para o local do atropelamento e deve fornecer mais detalhes sobre as circunstâncias do acidente.
Em nota, a Polícia Civil informou que o motorista prestou depoimento na unidade policial e responde em liberdade, já que não apresentou sinais de alteração e colaborou com o trabalho policial.
Impacto na vida das vítimas e repercussões na sociedade
A tragédia que envolveu Mariana e sua mãe destaca não apenas a fragilidade da vida humana, mas também questiona a segurança das calçadas e a responsabilidade dos motoristas nas ruas da cidade. A dor da perda é intensificada pela trajetória impressionante da jovem, que havia acabado de voltar de uma experiência enriquecedora na Europa.
Mariana não era apenas uma estudante, mas uma mulher que buscava fazer a diferença no mundo. Seu falecimento serve como um alerta para que as autoridades revisem e reforcem as normas de segurança para motoristas, principalmente em áreas urbanas movimentadas como Ipanema. As calçadas devem ser um espaço seguro para todos, longe do perigo dos veículos que frequentemente desrespeitam as regras de trânsito.
O acidente teve repercussão nas redes sociais, levando a um clamor por mudanças na legislação e na conscientização sobre responsabilidade e segurança no trânsito. Há um desejo crescente por parte da comunidade de que essa tragédia não se repita, e que reformas sejam implementadas para garantir a segurança dos pedestres.
Com um futuro que prometia mais, Mariana Tanaka Abdul Hak se tornou um símbolo da luta por um trânsito mais seguro e responsável. Sua história e a luta por justiça devem lembrar a todos sobre a importância de respeitar as normas de trânsito, garantindo um ambiente seguro para todos.
A CNN Brasil procurou os familiares de Mariana e o governo brasileiro, mas não obteve retorno. A tragédia continua a gerar discussões sobre segurança, responsabilidades e a proteção da vida nas ruas. Estes eventos não podem ser ignorados, e devem servir de catalisador para mudanças necessárias.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo




