Polícia

Acidente com avião da TAM que deixou 99 mortos: Lembrando a Tragédia

O acidente aéreo com o voo 402 da TAM, que resultou na morte de 99 pessoas, marca uma tragédia dolorosa na história da aviação brasileira. Em 31 de outubro de 1996, um Fokker 100 despencou poucos segundos após a decolagem do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

As vítimas incluíam 89 passageiros e seis tripulantes, todos a bordo do voo, além de quatro pessoas que estavam em solo. No total, o acidente causou 99 mortes, gerando um impacto profundo na sociedade e na aviação nacional.

Conforme o relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), a equipe de voo enfrentou uma “circunstância anormal” que foi interpretada como uma indicação de “falha do sistema” logo após a decolagem. Isso se traduziu em uma série de eventos catastróficos que culminaram na queda da aeronave.

Testemunhas relataram “movimentações anormais no reversor de empuxo do motor direito”, um recurso essencial para desacelerar a aeronave durante o pouso. A situação se agravou, pois foi como aplicar o freio quando era necessário acelerar. Segundo a investigação, a deterioração do desempenho da aeronave também foi um fator crucial, uma vez que o motor esquerdo teve sua potência reduzida e, consequentemente, a aeronave entrou em condições de estol, quando a sustentação é perdida.

Detalhes do Acidente

A aeronave ficou no ar por cerca de 24 segundos antes de colidir com três prédios e depois cair em várias casas na Rua Luís Orsini de Castro, no bairro Jabaquara, em São Paulo. Após a queda, um incêndio tomou conta da aeronave e do local, aumentando ainda mais a tragédia.

O relatório não destacou fatores como meteorologia, condições da pista e a manutenção do peso e balanceamento da aeronave como causas do acidente, demonstrando que todos esses aspectos estavam adequados no momento da decolagem.

Fatores Contribuintes para a Tragédia

De acordo com a análise do Cenipa, a equipe de voo iniciou a decolagem sem perceber anomalias. Entretanto, o sistema de aceleração automática (autothrottle) apresentou falhas e foi desativado durante a corrida de decolagem. O comandante alertou a tripulação várias vezes sobre esse problema, mas não considerou a interrupção da decolagem necessária, acreditando que poderiam lidar com a situação manualmente.

Assim que a aeronave deixou o solo, o copiloto falou sobre uma alavanca que estava travada. O Cenipa identificou isso como uma possível menção a dificuldades em manejar o equipamento de controle de potência, o que gerou uma perda de desempenho. Em um momento crítico, uma manete avançou enquanto o reversor de empuxo se manteve aberto, levando à crise final da aeronave.

A gravação da cabine mostra um alerta de estol soar, seguido por um grito do comandante indicando o desespero da situação: “Ai meu Deus”. A gravação termina no instante crucial em que o aviso de proximidade com o solo é acionado, reforçando a gravidade deste acidente.

Impacto Pessoal e Coletivo da Tragédia

A tragédia do voo 402 não deixou apenas uma marca na história da aviação, mas afetou também a vida de muitas pessoas. Sandra Assali, presidente da Abrapavaa (Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos), perdeu seu marido, José Rahal Abu Assali, que estava a caminho do Rio de Janeiro para um congresso de cardiologia. Sua perda inspirou Sandra a dedicar sua vida a ajudar outros que passaram por experiências semelhantes.

Expressando sua dor em redes sociais, Sandra refletiu: “Há 30 anos, perdi o homem com quem sonhava envelhecer. Descobri, no caminho mais doloroso da minha vida, uma missão para transformar a memória em prevenção e o amor em compromisso com outras vidas.” A perda de José deixou um legado não só para seus filhos, mas também para todos que compartilham da causa em favor da segurança aérea.

A história do voo 402 continua a servir como um lembrete sombrio e importante sobre a necessidade de rigor no controle de segurança e prevenção de acidentes na aviação.”

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