A Multiplan, reconhecida no setor de investimentos e desenvolvimento de shopping centers, anunciou com entusiasmo seus resultados do terceiro trimestre. A companhia reportou um lucro líquido de R$ 383,175 milhões, marcando um impressionante crescimento de 73,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, a receita líquida cresceu 37%, alcançando R$ 843 milhões, enquanto o EBITDA avançou para R$ 598,2 milhões, com um crescimento de 37,3%.
Parte desse crescimento significativo no lucro é atribuída à venda da participação no Park Shopping Barigui. O CFO da empresa, Armando d’Almeida, comentou sobre a estratégia de compra e venda de participações como parte fundamental das operações da Multiplan.
“Essa participação que nós vendemos agora, no terceiro trimestre, nós compramos no final de 2016 e começo de 2017. Então, faz parte da nossa atividade comprar e vender”, enfatizou D’Almeida.
EBITDA de Propriedade: Métrica Essencial
Para uma avaliação mais precisa da evolução recorrente do negócio, D’Almeida destacou que o EBITDA de propriedade é a melhor métrica. Este indicador exclui operações relacionadas à compra e venda de participações e outras atividades imobiliárias temporárias. “O EBITDA de propriedade, que representa 80% do EBITDA total, cresceu 8,6% no trimestre, com uma margem sólida de 83,8%”, informou ele, ressaltando que esse resultado reflete a operação cotidiana da companhia de forma precisa.
Crescimento de Tráfego e Novas Marcas
As vendas totais também mostraram um aumento de 5,9% no trimestre, com um crescimento de 3,1% nas mesmas lojas. O CFO esclareceu que o indicador de vendas em mesmas lojas desconsidera novas áreas que foram inauguradas recentemente, focando apenas em operações já estabelecidas há pelo menos 12 meses. D’Almeida relacionou o aumento das vendas à chegada de novas marcas nos shoppings da Multiplan, afirmando que “estamos testemunhando uma significativa troca de mix, onde oportunidades para novas marcas no Brasil estão crescendo”.
O tráfego de veículos nos shoppings também teve um crescimento de 2,5% no trimestre, em um portfólio com um fluxo anual de mais de 50 milhões de carros.
Saúde dos Lojistas e Taxa de Ocupação
Os aluguéis nas mesmas lojas apresentaram um crescimento superior ao reajuste contratual, com o custo de ocupação situado em 13% das vendas. D’Almeida expressou confiança em que ainda há espaço para um aumento na receita de locação sem prejudicar a saúde financeira dos lojistas. Ele observou que, no terceiro trimestre de 2022, este custo era de 14%, o que demonstra uma melhora, pois o crescimento das vendas dos lojistas superou o aumento dos aluguéis.
A taxa de ocupação dos shoppings chegou a 96%, e a inadimplência líquida permaneceu negativa por dez trimestres consecutivos, um indicativo positivo para a saúde financeira da companhia e de seus parceiros comerciais.
Expectativas para o Quarto Trimestre
D’Almeida demonstrou otimismo em relação ao quarto trimestre, reconhecido como o melhor período do ano para o varejo. Ele citou a aguardada inauguração da árvore de Natal do Barra Shopping, no Rio de Janeiro, que terá 75 metros de altura, além de novas operações previstas, como a expansão do Parque Shopping Brasília, que contará com cerca de 60 novas marcas.
“Tem novas atrações que certamente vão fazer esse período confirmar como o melhor em vendas”, declarou ele. As vendas mensais mostraram um padrão de aceleração, com crescimentos de 4,3% em julho, 5,4% em agosto e 8,1% em setembro. Isso é especialmente notável considerando que o setor, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Center, apresentou uma queda de 2,5% em vendas em julho. A Multiplan, por outro lado, cresceu 4,3% nesse mesmo mês.
Desalavancagem e Alocação de Capital
A alavancagem da Multiplan recuou de 1,93 para 1,76 vezes no trimestre, impulsionada pela redução da dívida líquida e pelo crescimento do EBITDA. D’Almeida ressaltou que a companhia se encontra em uma situação confortavelmente endividada. Este processo de desalavancagem visa preservar a capacidade de seguir com o plano de crescimento e, ao mesmo tempo, retornar o capital aos acionistas.
“Investimos cerca de R$ 2 bilhões entre expansão e revitalização do portfólio, mais R$ 700 milhões em compras de participações minoritárias, retornamos R$ 2 bilhões por meio de juros de capital próprio para nossos acionistas e ainda recompramos R$ 2,3 bilhões“, detalhou D’Almeida, totalizando cerca de R$ 7 bilhões em alocação de capital no período.




