A Justiça Eleitoral brasileira enfrenta grandes dificuldades na fase final do segundo turno, especialmente devido ao aumento das ações judiciais entre as campanhas e à proliferação de desinformação nas redes sociais. Nesse cenário, a análise de Débora Bergamasco, âncora da CNN, ressalta os efeitos da desinformação nas eleições e a falta de planejamento adequado para mitigar esses problemas.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já tomou medidas para lidar com campanhas que disseminam informações falsas. Recentemente, determinou que o Fórum de Servidores apagasse postagens contra Flávio Bolsonaro (PL). Em outro incidente, o TSE exigiu a remoção de um vídeo que apresentava uma montagem enganosa de uma mulher consumindo cocaína durante um evento em apoio a Lula.
O conteúdo enganoso foi compartilhado por figuras proeminentes da política, incluindo Flávio e Carlos Bolsonaro (PL), bem como Pablo Marçal (PRTB), Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Rony Gabriel (Podemos-RS).
Desinformação: um problema crescente
Nossa sociedade está lutando contra a desinformação, especialmente em períodos eleitorais. Débora Bergamasco enfatizou que as ordens de remoção de conteúdos manipulados frequentemente chegam tarde demais para neutralizar seus impactos. “Depois que a flecha saiu, não tem como voltar”, comentou a apresentadora. Ela alertou que às vezes a própria remoção de uma postagem pode acabar atraindo mais atenção para ela, fazendo o assunto voltar à tona e alcançar um público ainda maior.
Esse ciclo de desinformação continua a afetar a percepção do eleitor e é um desafio constante para a Justiça Eleitoral. A rapidez com que essas informações falsas se espalham nas redes sociais torna cada vez mais difícil o controle e a resposta efetiva.
Regras mudadas durante as eleições
Outro ponto crítico que Bergamasco destacou foi a falta de planejamento da Justiça Eleitoral em relação a práticas comuns nas campanhas, como o uso de grupos de WhatsApp para disseminar mensagens. Um caso emblemático é o do grupo “Exército do Lula”, organizado por André Janones (Rede), que já contava com mais de 5 milhões de participantes.
A apresentadora questionou: “Quem em sã consciência imaginou que grupos de WhatsApp não seriam usados para essa campanha? É o básico do básico”. As regras cambiantes durante o processo eleitoral criam uma sensação de insegurança jurídica, prejudicando tanto candidatos quanto eleitores.
Consequências práticas no Rio de Janeiro
Em suas considerações, Bergamasco citou um exemplo que ilustra as falhas do sistema: o caso do Rio de Janeiro. Decisões da Justiça Eleitoral foram tomadas após o fechamento das urnas e a contabilização dos votos, afetando diretamente candidatos como Douglas Ruas (PL) e Anthony Garotinho (Republicanos), cujos votos foram posteriormente desconsiderados.
A apresentadora argumentou que essa situação é inaceitável: “Se a pessoa que votou no Garotinho soubesse que seu voto seria anulado, provavelmente, ela teria optado por outra escolha”. Tais questões não podem ser decididas após o voto, pois isso compromete a integridade do processo eleitoral e a confiança do cidadão nas instituições.




