Política

O que é Energia 4.0 e como o conceito entra no plano de R$ 5,5 bilhões para a energia do Amazonas

Medidor inteligente de energia elétrica com visor digital

Sensores, medidores inteligentes, análise de dados e automação fazem parte do pacote que a Âmbar Energia anunciou para modernizar a distribuição elétrica no Amazonas. Junto com a recuperação da estrutura física, a proposta coloca o Estado no caminho da chamada Energia 4.0. Mas o que significa, afinal, esse termo?

O conceito costuma ser explicado como uma evolução em quatro etapas. Na primeira, a Energia 1.0, o objetivo era simplesmente gerar eletricidade e fazê-la chegar às casas. Na segunda, vieram as grandes usinas e os sistemas de transmissão e distribuição em escala. A terceira trouxe informática, telecomunicações, automação e controle remoto. A quarta soma a tudo isso sensores, medidores inteligentes, internet das coisas, análise de dados e inteligência artificial, permitindo acompanhar a rede em tempo real.

Ou seja, a rede elétrica passa a produzir informação sobre o próprio funcionamento, e não apenas a levar energia de um ponto a outro. Isso não diminui a importância de postes, cabos, transformadores e subestações. Sem eles em boas condições, não há rede digital que funcione.

No plano da Âmbar, o investimento soma R$ 5,5 bilhões até 2031. A empresa entra com R$ 3,9 bilhões próprios, e o restante deve vir de recursos federais destinados ao Luz para Todos e a projetos de interligação.

As ações incluem a troca de cabos antigos por cabos concêntricos revestidos, a expansão e revitalização de circuitos, a construção e ampliação de subestações e a instalação de sistemas de monitoramento. A ideia é tornar a rede observável, para que se saiba como cada circuito está operando, quais trechos estão sob maior pressão e qual equipamento precisa de manutenção.

Como isso muda o dia a dia? Em uma rede tradicional, a distribuidora muitas vezes só descobre uma pane quando o cliente liga para reclamar. Numa rede digitalizada, sensores apontam variações de tensão, sobrecargas e interrupções, o que acelera a localização do defeito.

Os medidores inteligentes fornecem mais dados que os modelos convencionais. Com eles, a concessionária consegue acompanhar padrões de consumo, notar alterações de carga, encontrar anomalias e planejar melhor a operação. O consumidor, por sua vez, pode passar a ter informações mais detalhadas sobre quanto e quando consome.

Essas ferramentas também servem para reduzir perdas não técnicas, que é a energia consumida e não faturada por causa de ligações clandestinas, fraudes ou problemas de medição. Pela estimativa de empresários, cerca de 44% da energia injetada na rede amazonense não é faturada hoje. A Âmbar pretende combinar medição moderna, infraestrutura renovada e regularização de ligações.

Outro uso é prever gargalos. Em Manacapuru, a empresa colocou em operação uma termelétrica de 5 MW para reforçar o abastecimento no horário de maior consumo. Somada a investimentos permanentes e ao monitoramento, a solução ajuda a acompanhar a demanda e planejar a expansão da rede.

No interior, contudo, o básico continua essencial. Em Humaitá, as equipes trocam postes e cruzetas, reforçam 34 quilômetros de rede e limpam a vegetação junto aos fios. A Energia 4.0 não dispensa esse trabalho; ela adiciona inteligência a uma rede que ainda precisa ser reconstruída e ampliada.

Num território de grandes distâncias como o Amazonas, essa inteligência pode significar mandar a equipe direto ao ponto da falha, identificar padrões de interrupção e apontar onde novos investimentos são mais necessários.

Quadro: as quatro etapas da energia

Energia 1.0 | Eletrificação
Desafio central: gerar eletricidade e construir as redes que a levam aos consumidores.

Energia 2.0 | Expansão e escala
Grandes usinas, transmissão e distribuição em larga escala ampliam o acesso e a capacidade.

Energia 3.0 | Automação
Informática, telecomunicações, controle remoto e automação entram na operação do sistema.

Energia 4.0 | Inteligência e conectividade
Sensores, medidores inteligentes, internet das coisas, dados, inteligência artificial e redes inteligentes oferecem acompanhamento muito mais detalhado do sistema.