Política

Do alerta da ANEEL ao plano bilionário: a herança da privatização da Amazonas Energia

Unidade de atendimento da Amazonas Energia

Quando foi privatizada, em 2018, a Amazonas Energia deveria virar a página de anos de problemas na distribuição de eletricidade no Amazonas. Não foi o que aconteceu. A empresa terminou o ciclo sob controle da Oliveira Energia, do empresário Orsine Rufino de Oliveira, ainda às voltas com graves dificuldades financeiras e operacionais.

Em novembro de 2023, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) chegou a recomendar ao Ministério de Minas e Energia a declaração de caducidade da concessão, em razão do cenário descrito no processo regulatório.

O diagnóstico da agência tinha alcance amplo. A avaliação envolvia o cumprimento das obrigações contratuais e a saúde econômico-financeira da concessionária. Nos autos, a ANEEL também apontou que a eficiência operacional não teve avanço expressivo nos níveis esperados.

É esse o ponto de partida da Âmbar, que assumiu a distribuição em abril de 2026 anunciando investimentos de R$ 5,5 bilhões até 2031. Do total, R$ 3,9 bilhões estão previstos como recursos próprios da companhia.

O programa contempla recuperação e expansão da rede, substituição de cabos, novas subestações, digitalização e equipamentos para monitorar o sistema.

A missão da nova gestão, portanto, não se resume a administrar a concessão. Trata-se de recuperar uma infraestrutura que continuou com falhas mesmo depois da privatização, e o montante anunciado revela a dimensão do trabalho para modernizar o fornecimento de energia no Amazonas.