Polícia

25 estados não oferecem avaliação psicológica periódica a policiais civis: Entenda as consequências.

25 estados não oferecem avaliação psicológica periódica a policiais civis: Entenda as consequências.

O painel sobre saúde mental dos policiais, apresentado pelo MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública), revela uma situação preocupante nas forças de segurança pública do país. Segundo a pesquisa de 2024, 25 estados do Brasil não oferecem avaliação psicológica periódica aos policiais civis. Este dado evidencia a necessidade de um olhar mais atento à saúde mental desses profissionais, que frequentemente lidam com situações estressantes e adversas.

A pesquisa foi realizada com 135 instituições, abrangendo todos os 26 estados e o Distrito Federal. Dentre essas, apenas o Distrito Federal e a Bahia não forneceram respostas sobre a disponibilidade dessa avaliação. O que chama atenção é que, mesmo com a ausência de avaliações periódicas, 22 estados afirmaram disponibilizar algum tipo de assistência à saúde mental para os policiais civis.

Avaliações Psicológicas e Assistência

Entre as 22 unidades que oferecem serviços de saúde mental, 13 disponibilizam apenas acompanhamento psicológico, enquanto 9 disponibilizam tanto psicologia quanto psiquiatria. No entanto, três estados declararam não ter esse tipo de serviço: Rio Grande do Norte, Rondônia e Alagoas. É essencial que um suporte abrangente para a saúde mental seja disponibilizado, considerando que 70.400 servidores, incluindo policiais e bombeiros, foram afastados devido a transtornos mentais, como evidenciado na pesquisa.

A contratação de profissionais bem treinados e a implementação de programas contínuos de saúde mental são imprescindíveis para prevenir o desgaste físico e psicológico. Frequentemente, o acolhimento psicológico ocorre somente após o esgotamento do servidor, sem um monitoramento proativo.

Impacto da Falta de Acompanhamento Preventivo

A ausência de avaliações periódicas não apenas estimula o sofrimento, mas também gera uma lacuna significativa nas instituições de segurança pública. As consequências dessa falta de acompanhamento preventivo podem culminar em sérias implicações para a saúde e a eficácia dos profissionais. O acolhimento, quando feito apenas após situações críticas, torna-se insuficiente para garantir o bem-estar dos policiais civis.

É notável que os estados estão buscando atender a essa demanda por meio de programas de saúde mental, mas pode-se argumentar que esses esforços ainda não são suficientes perante a magnitude do problema. A qualidade de vida no trabalho para os profissionais de segurança requer não apenas uma resposta imediata, mas uma estratégia integral e contínua.

O Que Dizem as Unidades Federativas

Alguns estados, como o Maranhão, Ceará e Pernambuco, têm demonstrado esforços significativos em suas políticas de saúde mental. A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão – SSP-MA, por exemplo, mantém o programa “Saúde na Segurança”, que oferece cuidados completos em saúde para profissionais de segurança. Este programa garante acesso a consultas médicas, atendimentos psicológicos e psiquiátricos, além de exames e tratamentos diversos.

O Ceará também se destaca com sua Coordenadoria de Saúde do Policial Civil, que conta com uma equipe multidisciplinar que promove a saúde e o bem-estar dos policiais. Já a Polícia Civil de Pernambuco informa que disponibiliza avaliação psicológica desde 2025, com vistas a melhorar a qualidade de vida dos seus agentes.

Em relação ao Paraná, destaca-se a implementação de protocolos para o recolhimento do armamento funcional e a necessidade de avaliação psicológica em situações específicas, enfatizando a segurança não só da população, mas também dos próprios policiais. Essa abordagem é crítica para prevenir incidentes relacionados ao estado mental dos agentes.

A Necessidade de Melhoria nos Processos de Acompanhamento

Embora várias unidades federativas estejam fazendo progressos no acompanhamento da saúde mental dos policiais civis, ainda existe uma necessidade evidente de aprimoramento. A implementação de programas standardizados para a saúde mental em todo o país pode ajudar a mitigar os efeitos negativos que a falta de suporte adequado pode causar.

A saúde mental de policiais civis deve ser uma prioridade nas agendas de segurança pública, com um sistema claro e efetivo de avaliações e suportes permanentes. A ausência de um protocolo de avaliação periódica pode deixar os agentes desprotegidos e sobrecarregados, potencializando o risco de afastamentos e crises mentais.

Portanto, a questão em torno da saúde mental dos policiais no Brasil exige atenção urgente, com uma abordagem colaborativa entre os governos estaduais e especialistas em saúde mental. Somente assim será possível garantir que estes profissionais recebam o suporte necessário para executar suas funções com eficácia e segurança, beneficiando não apenas a eles, mas a sociedade como um todo.

As informações coletadas pelo painel devem servir como base para reavaliação das políticas de saúde mental nas Forças de Segurança Pública, buscando sempre a melhoria contínua e a proteção da saúde de quem cuida da segurança da população.