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Professora morta após ser diagnosticada com ansiedade no RJ

Professora morta após ser diagnosticada com ansiedade no RJ

Giulia Silva de Araújo, de 26 anos, era professora de história e estudante da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). A jovem morreu na última sexta-feira (28) após procurar um hospital municipal duas vezes e receber alta por diagnóstico de “ansiedade”.

A vítima deu entrada na emergência do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles, em Irajá, zona Norte do Rio de Janeiro, com queixas de dor no peito e sintomas compatíveis com um quadro cardíaco. Giulia passou por uma série de exames e foi liberada pela unidade.

Para familiares da vítima, a unidade tratou um possível quadro de infarto como crise de ansiedade. No mesmo dia, quase três horas depois, a professora retornou ao hospital relatando os mesmos sintomas e, após novos exames, recebeu alta novamente.

Giulia morreu horas após a segunda liberação, em decorrência de tamponamento cardíacoruptura de aneurisma da aorta ascendente, conforme o laudo de necropsia da Polícia Civil do Rio de Janeiro, finalizado nesta quarta-feira (2).

Sonho de viver nos EUA

De acordo com a irmã da professora, Fabiana Marques, Giulia tinha o sonho de proporcionar uma vida melhor à família. Segundo ela, a docente planejava cursar uma nova graduação e, posteriormente, se mudar para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades profissionais.

“Por eu trabalhar muito e não ter tempo ‘nem para respirar’, ela tinha esse plano de fazer uma nova faculdade e ir para os Estados Unidos para poder ganhar melhor.”

Apesar do desejo da professora de buscar melhores condições e valorização da saúde e educação, os familiares não queriam que ela se afastasse. “Eu nunca quis que ela fosse. Minha mãe também não, a gente sempre batia na mesma tecla: não, você não vai. Eu falava: não precisa, eu continuo trabalhando.”, contou Fabiana.

A irmã também descreve a relação entre as duas como extremamente próxima. Segundo Fabiana, Giulia era seu “porto seguro” e costumava ajudá-la em diferentes tarefas do cotidiano, inclusive na rotina escolar do filho.

“Ela me ajudava em tudo, até mesmo nas tarefas da escola do meu filho. As notas do meu filho melhoraram 100% com a ajuda dela. A Giulia tinha toda uma paciência com ele.”

Especialização e estudos

Giulia Silva era professora de História e também se especializava em Educação Especial e Inovação Tecnológica pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

A universidade realizará, neste sábado (5), uma cerimônia de premiação em homenagem à conclusão do curso da professora. Segundo Fabiana, a família estará presente para receber a homenagem em nome de Giulia.

A irmã afirma ainda que a professora era muito querida pelos alunos. Segundo ela, mesmo uma semana após a morte, a ausência de Giulia ainda é sentida na escola.

“Hoje, 90% dos alunos dela, mesmo depois de uma semana [da morte], faltaram à escola. Ainda tem pais indignados me mandando mensagens, ajudando a compartilhar.”

Busca por Justiça

À CNN Brasil, Fabiana conta que irá lutar por Justiça pela morte da irmã. Em relato nas redes sociais, amigos e familiares da vítima ainda afirmaram que o Hospital Municipal Francisco da Silva Telles tratou os sintomas de Giulia como uma crise de ansiedade, mesmo apresentando sinais compatíveis com um quadro cardíaco.

Em um trecho do relato, os familiares cobraram respostas da unidade hospitalar e afirmaram que os exames apresentavam alterações que “precisam ser esclarecidas”.

Por que não foi seguido um protocolo adequado para os sintomas informados? Por que os sintomas de uma jovem de 26 anos foram tratados como ansiedade, mesmo diante da piora e do desmaio?


questionaram familiares de Giulia Silva

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Relembre o caso

Giulia recebeu alta hospitalar duas vezes no mesmo dia antes de falecer. A mulher deu entrada na emergência do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles pela primeira vez com queixas de dor no peito e sintomas compatíveis com um quadro cardíaco.

Segundo relatos, ela foi submetida a diversos exames e foi liberada pela unidade, que diagnosticou o quadro como um episódio de ansiedade.

Giulia procurou a unidade novamente –– cerca de três horas após a primeira liberação ––, e relatou sintomas mais intensos. O hospital realizou uma nova bateria de exames mas a liberou pela segunda vez.

Nas redes sociais, os parentes da professora afirmaram que na segunda vez em que Giulia buscou o hospital, ela chegou a desmaiar e apresentar sintomas mais graves durante o atendimento, mas, mesmo assim, não recebeu um diagnóstico diferente do hospital.

Depois de ser liberada pela segunda vez, a professora passou mal e foi levada a outro hospital mais próximo da casa dela. No entanto, sofreu um infarto e morreu ainda no mesmo dia.

Os familiares da professora chegaram a cobrar respostas da unidade hospitalar e afirmaram que os exames apresentavam alterações que “precisam ser esclarecidas”.

Outro lado

A direção do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles, por sua vez, informou que prestou toda a assistência à paciente de acordo com o quadro clínico apresentado em cada avaliação.

Segundo a unidade, Giulia foi ao hospital relatando dores no peito e foi prontamente atendida, tendo recebido todos os cuidados indicados para o seu quadro, incluindo exames estabelecidos em protocolo para diagnóstico imediato de casos cardíacos agudos.

Conforme o hospital, todos os exames apresentaram resultados dentro dos parâmetros de normalidade: frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial, temperatura e saturação de oxigênio.

Além disso, o hospital ainda afirmou que Giulia também passou por exame de eletrocardiograma, determinante na detecção de quadros cardíacos de maior gravidade, e o resultado não apresentou qualquer alteração.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro lamentou o falecimento de Giulia e ressaltou que “prestou toda a assistência à paciente de acordo com o quadro clínico apresentado”. A direção da unidade hospitalar ainda afirmou que segue à disposição da família para mais esclarecimentos.

O caso é investigado pela 59ª DP (Duque de Caxias) que apura as circunstâncias da morte.