Pesquisadores anunciaram, nesta segunda-feira (27), durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, dois novos casos de remissão do HIV após a interrupção do tratamento com antirretrovirais. Os pacientes permanecem sem carga viral detectável há 14 e 12 meses.
Os dois pacientes foram submetidos a transplantes de células-tronco para tratar doenças hematológicas graves, e não o HIV. Os procedimentos utilizaram doadores portadores de uma rara mutação genética, conhecida como CCR5-delta32, que impede a entrada das formas mais comuns do vírus nas células do sistema imunológico.
O primeiro caso, conhecido como Paciente de Kansas City, recebeu o diagnóstico de HIV e de uma forma agressiva de leucemia em 2018. Após o transplante, realizado em 2020, o tratamento com antirretrovirais foi suspenso em fevereiro de 2025. Quatorze meses depois, os exames continuam sem detectar o vírus.
No segundo caso, o paciente convivia com HIV e hepatite B e apresentava variantes virais capazes de utilizar diferentes portas de entrada nas células humanas. Um ano após a interrupção do tratamento, os médicos não encontraram vírus com capacidade de se multiplicar nem material genético completo do HIV.
Com esses dois casos, chegou a 13 o número de pessoas que permaneceram sem medicamentos e sem sinais detectáveis do HIV após transplantes de células-tronco.
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Apesar dos resultados, os especialistas ressaltam que isso não significa que exista uma cura disponível para os milhões de pessoas que vivem com o vírus.
“Isso quer dizer que você tira o tratamento e o vírus não volta. Em algumas pessoas, a gente tem evidências muito fortes de que realmente o vírus não existe mais”, explicou o infectologista Dr. Ricardo Diaz, professor da Universidade Federal de São Paulo.
Remissão do HIV após transplante
Os casos passam a fazer parte de uma lista, iniciada em 2009. O primeiro paciente foi chamado de Paciente de Berlim. Timothy Ray Brown foi considerado o primeiro homem funcionalmente curado do HIV. Desde então, casos semelhantes foram registrados em Londres, Düsseldorf, Nova York, City of Hope, Genebra, Berlim, Marselha, Oslo, Chicago e Toronto.
A remissão do HIV é uma área de pesquisa em constante evolução. Com cada novo caso relatado, os cientistas ganham mais insights sobre a possibilidade de cura e as condições que a permitem. Cada transplante de células-tronco que resulta em remissão traz novas esperanças e desafios.
Detalhes importantes sobre os novos casos relatados são cruciais para compreender como pequenas variações genéticas podem influenciar a resposta ao tratamento do HIV. A identificação de doadores com a mutação CCR5-delta32 é um passo importante, uma vez que não estão facilmente disponíveis entre a população.
Além disso, a especificidade do tratamento e sua relação com este tipo de remédio antirretroviral ainda precisa ser mais bem compreendida. É essencial entender que, apesar desses casos de sucesso, o que funciona para um paciente pode não funcionar para todos.
Desafios e perspectivas para o tratamento do HIV
Entre os desafios está o acesso limitado a transplantes de células-tronco e ao próprio entendimento das condições que levam à remissão. A cura do HIV, no entanto, não se limita apenas a casos de transplante. A pesquisa contínua em terapias antivirais e vacinas é vital para a luta global contra a epidemia.
Os resultados desses dois novos casos são promissores, mas o caminho para encontrar uma cura viável para todos é longo. Médicos e pesquisadores continuam a explorar novas abordagens para tratamento que possam beneficiar um público mais amplo.
Por enquanto, as terapias antirretrovirais continuam sendo a principal estratégia para o controle do HIV. O fornecimento consistente de medicamentos e o acesso a cuidados de saúde são fundamentais para garantir a qualidade de vida dos que convivem com o vírus.




