Polícia

Rodovias têm 13 mil pontos de risco de exploração sexual infantil

Um levantamento recente revela que as rodovias federais no Brasil apresentam mais de 13 mil pontos de vulnerabilidade para exploração de menores. De acordo com a cartilha do Projeto Mapear 2025/2026, elaborada pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) e pela ONG Childhood Brasil, a pesquisa identificou um total de 13.758 pontos vulneráveis que representam risco à segurança de crianças e adolescentes.

A divulgação aconteceu nesta quarta-feira (10) e demonstrou que houve uma queda de 22,2% em relação ao biênio anterior (2023/2024). Essa redução é atribuída a um aprimoramento metodológico dos dados coletados, utilizando técnicas de georreferenciamento, possibilitando um diagnóstico mais aprimorado da situação.

Os dados incluem principalmente estabelecimentos comerciais, como hotéis, motéis e postos de combustíveis, localizados ao longo das rodovias federais. A cartilha classifica os locais de acordo com quatro níveis de risco para a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (ESCA): baixo, médio, alto e crítico. Ela também apresenta uma queda na criticidade destes pontos avaliados.

Os pontos críticos foram reduzidos de 4,56% (807) para 3,29% (452) do total, enquanto os de alto risco caíram de 14,51% (2.566) para 13,50% (1.858) do total. É importante ressaltar que essa classificação não indica a ocorrência confirmada de práticas criminosas, mas sim a presença de fatores de risco associados.

Um dos fatores que contribuíram para a diminuição desses índices, em comparação ao biênio anterior, é a expansão digital. Redes sociais e aplicativos têm facilitado o aliciamento e a disseminação de conteúdos sexuais de forma anônima, transformando a dinâmica de exploração ao longo das rodovias.

Ainda que a presença física das vítimas ao longo das rodovias tenha diminuído, a exploração de menores se tornou mais complexa e adaptável. A existência de 452 pontos críticos reafirma que a vulnerabilidade física persiste como um desafio significativo, exigindo um aumento na vigilância e na implementação de estratégias de inteligência cada vez mais específicas por parte da PRF.

Revisão das regiões e estados mais críticos

Em 2025, a região Nordeste destaca-se com o maior número de pontos de risco, somando 5.944, seguida pelo Sudeste com 3.393, Sul com 1.822, Norte com 1.455 e Centro-Oeste com 1.144.

Dentro dos estados, o Piauí lidera em volume total, com 2.533, Minas Gerais vem em seguida com 2.170, e Santa Catarina completa o quadro com 928. Em termos de distribuição, foram registrados 8.973 pontos em Área Urbana (65,2%) e 4.785 em Área Rural (34,8%).

A cartilha ainda destaca os estados que têm a maior criticidade nos locais mapeados. Considerando a soma dos pontos críticos e de alto risco, Minas Gerais ocupa o topo do ranking de vulnerabilidade.

  • Minas Gerais: 283
  • Santa Catarina: 215
  • Bahia: 192
  • Rio de Janeiro: 156
  • São Paulo: 136

O papel estratégico do Projeto Mapear

O Projeto Mapear 2025/2026 tem se mostrado um instrumenta fundamental na luta contra a exploração sexual de menores, enfatizando o trabalho de inteligência como um dos eixos centrais do mapeamento, voltando-se para “levantar para prevenir e enfrentar”. Esta abordagem transforma dados brutos em conhecimento preciso, que modifica a maneira como as ações repressivas e preventivas são realizadas.

A PRF tem implementado o Mapear desde 2003 como um meio de orientar suas diretrizes e ações contra os crimes sexuais que afetam menores. A atuação da instituição abrange campanhas educativas e ações de conscientização nos locais mapeados, além de repressão através da identificação de indivíduos suspeitos e operações específicas.

Durante os anos de 2024 e 2025, a PRF executou 86 edições da Operação Domiduca em todo o país, focando na exploração sexual de crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. Essa operação supervisionou 16.592 pontos e possibilitou o resgate de 111 crianças e adolescentes. No ano anterior, cerca de 90 mil pessoas foram alcançadas em ações preventivas e educativas, um esforço que pode ter contribuído para a redução das situações de vulnerabilidade imediata e, potencialmente, para a diminuição de ocorrências e flagrantes nos locais monitorados.