Após uma pausa de dez anos, o Rio de Janeiro voltou a ser o centro das atenções com sua semana de moda, que ocorreu entre 14 e 18 de abril. O Rio Fashion Week atraiu aproximadamente 30 mil visitantes, apresentando 20 desfiles e mais de 1000 looks em passarelas que se estenderam por quilômetros.
Diretamente do Píer Mauá, várias marcas icônicas como Misci, Hisha, Aluf, Isabela Capeto, Adidas, Blue Man e Dendezeiro mostraram suas identidades criativas, revitalizando a moda carioca.
Embora a indústria fashion estivesse em foco, o evento também celebrava a pluralidade da moda nacional. Fabi Mazzer, curadora de moda, destacou como o Rio se torna uma vitrine cultural, cada vez mais focada em sua própria identidade e significado na moda contemporânea.
Artesanal e Regionalismo
Fabi aponta que elementos da cultura local foram amplamente utilizados nas coleções, com uma ênfase especial em matérias-primas naturais. Bordados, crochês e acabamentos manuais deixaram de ser meros detalhes, ganhando centralidade nas criações. As atmosferas praianas se misturaram ao urbano, criando uma nova forma de alfaiataria que ressignificou o casual.
Construção de Valor e Direção Estética
Mais do que uma simples exibição de roupas, a semana de moda começou a agregar valor a aspectos como cultura e lifestyle. Esse novo enfoque elevou o artesanal ao centro do discurso da moda, convertendo a beleza das tradições em narrativas abrangentes.
Silhuetas e Estruturas
No desfile da Aluf, sob a direção de Ana Luisa Fernandes, as volumetrias foram realçadas, equilibrando as silhuetas longas e estruturas esculpidas. Isso reflete claramente a identidade da marca e o valor do trabalho colaborativo, uma característica que marcou várias apresentações, como a da Misci.
Por outro lado, marcas como a Hisha trouxeram um dinamismo renovado com técnicas de aplicação que celebram o movimento do corpo. Elementos como franjas e texturas ressaltaram uma moda sensorial e viva, transformando a forma como a transparência é percebida nas coleções atuais.
Rio de Janeiro como Referência Global
Com a presença de compradores internacionais, como representantes da Galeries Lafayette, o Rio Fashion Week se torna uma ponte para o mercado externo. Mazzer conclui que o evento busca projetar uma imagem cultural própria, diferente das demais capitais da moda, enfatizando sua relevância e singularidade na arena global.
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