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Exportações de café recuam em março e afetam mercado negativo

Exportações de café recuam em março e afetam mercado negativo

No cenário atual das exportações de café, o Brasil enfrenta desafios significativos, com a queda nas vendas e a pressão dos preços no mercado internacional. As exportações de café brasileiro totalizaram 3,04 milhões de sacas em março de 2026, resultando em uma diminuição de 7,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A receita gerada alcançou US$ 1,125 bilhão, uma retração ainda mais acentuada de 15,1%, de acordo com o relatório mensal do Cecafé.

Desafios no Setor do Café

O desempenho negativo reflete a entressafra e a menor disponibilidade do produto. Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, observa que muitos produtores preferem segurar suas vendas, à espera de melhores condições de preço, o que resulta na redução do volume embarcado. Esta estratégia, embora compreensível, tem implicações diretas nas exportações.

Impactos Externos e Logísticos

Além das questões internas, os exportadores brasileiros enfrentam diversos fatores externos que afetam o setor. De acordo com o relatório, os entraves logísticos, como contêineres retidos e atrasos nos embarques nos portos brasileiros, são preocupantes. A guerra no Oriente Médio também contribui para o aumento dos custos de frete e seguro marítimo, dificultando ainda mais a competitividade do café brasileiro no exterior.

Queda nas Exportações e Receita

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, as exportações brasileiras somaram 8,46 milhões de sacas, resultando em uma retração de 21,2%. A receita totalizou US$ 3,37 bilhões, uma queda de 13,6%. Para o ano-safra 2025/26, os embarques totalizaram 29,09 milhões de sacas, evidenciando uma queda similar de 21,2%. Apesar do volume de embarques em declínio, a receita do setor registrou um aumento de 2,9%, totalizando US$ 11,43 bilhões, graças aos preços sustentados. O café arábica continua sendo o principal produto exportado, com 79,3% dos embarques, mas sofreu uma queda de 25,8% em volume. Os cafés diferenciados, que incluem os produtos certificados e sustentáveis, representaram 19,1% das exportações, mas também enfrentaram uma queda de 42,7% no volume. Por fim, a Alemanha é o principal destino das exportações, seguida pelos Estados Unidos, que registraram um recuo significativo nas compras.