Uma quadrilha que produzia armas de fogo em impressoras 3D foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro em conjunto com o MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) e o MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública de São Paulo), na manhã desta quinta-feira (12), no interior paulista. Os armamentos foram chamados de “armas fantasmas”, pois não possuem número de série ou registro oficial, o que dificulta a localização.
Além disso, segundo os investigadores, as armas podem ser montadas com peças de fácil acesso.
As apurações apontam que o principal produto disseminado pela organização era um modelo de arma semiautomática produzido com peças impressas em 3D combinadas a componentes não regulamentados.
Veja imagens das armas abaixo:
O projeto foi divulgado na internet acompanhado de um manual técnico e de um manifesto ideológico que defendia o porte irrestrito de armas de fogo. O conteúdo circulou em redes sociais, fóruns e ambientes da dark web, ampliando a difusão do modelo e criando uma rede de usuários interessados na produção das chamadas “armas fantasmas”.
Entre os produtos comercializados estavam carregadores alongados para pistolas de diferentes calibres, produzidos em impressoras 3D na residência do principal investigado. O material era vendido em plataformas online.
Como a polícia atuou na operação
A ação policial foi realizada nas cidades de Piracicaba, Rio das Pedras, Saltinho e Tambaú, no interior paulista.
Como líder atuava
O homem apontado como líder da quadrilha que produzia armas de fogo feitas em impressoras 3D, preso nesta quinta-feira (12), durante a operação, é um engenheiro especializado em controle e automação e seria o principal responsável pelo desenvolvimento técnico do armamento.
Segundo as investigações, ele teria usado pseudônimo na internet e divulgado testes balísticos, atualizações de design e orientações detalhadas sobre calibração, materiais de impressão e montagem das armas.
Ainda de acordo com as apurações, o suspeito produziu e distribuiu um manual com mais de 100 páginas, que descrevia todas as etapas para fabricação das armas. O material permitiria que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D montassem o armamento em poucas semanas, utilizando equipamentos de baixo custo.
Ele também seria responsável por participar de debates online, incentivar a produção das armas e utilizar criptomoedas para financiar as atividades.
Venda de carregadores e compradores em vários estados
Ainda de acordo com as apurações, entre 2021 e 2022, pelo menos 79 compradores adquiriram peças produzidas pelo grupo. Nos anos seguintes, as negociações teriam passado a ocorrer por meio de outros canais digitais.
Os compradores identificados estão distribuídos em 11 estados brasileiros. De acordo com os investigadores, parte deles possui antecedentes criminais, incluindo registros relacionados ao tráfico de drogas e outros crimes.
No estado do Rio de Janeiro, foram identificados dez compradores em cidades como São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia, Armação dos Búzios e na capital.
Entenda a operação
As autoridades envolvidas na operação cumpriram mandados, nesta quinta-feira (12), contra integrantes e compradores ligados a um esquema interestadual de produção e venda de material bélico fabricado em impressoras 3D.
Segundo as investigações conduzidas pelo CyberGAECO (Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público) e pela 32ª DP (Taquara), dos cinco mandados de prisão, quatro já foram cumpridos. Além disso, as equipes também cumprem 36 mandados de busca e apreensão em 11 estados do país, em endereços ligados tanto a integrantes do grupo quanto a compradores do material.
As diligências ocorrem no Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará e Paraíba. Forças de segurança de Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Bahia e Roraima também auxiliam no cumprimento de ordens judiciais. A operação conta ainda com cooperação de órgãos internacionais.
De acordo com as autoridades, cinco integrantes da organização criminosa foram denunciados à Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo.
As equipes da 32ª DP (Taquara) cumprem seis mandados de busca e apreensão no estado, incluindo endereços no interior, na Região dos Lagos e em bairros da capital, como Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca. A ação conta com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.
Apreensões
Nas diligências, a Polícia Militar de São Paulo apreendeu oito armas de fogo, entre pistolas, revólveres e fuzis, diversos protótipos de armamentos de fabricação própria, e centenas de munições de diversos calibres.
Também foram recolhidos artefatos como balestras, granadas, coletes e capacetes balísticos, além das impressoras 3D usadas para fabricar o armamento.
