A Justiça do Rio de Janeiro confirmou a condenação de três policiais militares envolvidos em uma pista sombria da criminalidade, conhecidos como integrantes do “novo Escritório do Crime”. Este grupo é acusado de estabelecer uma organização criminosa que se dedicava a crimes brutais, incluindo sequestros e homicídios por encomenda, além da venda clandestina de armas e munições.
Entre os policiais condenados estão Bruno Marques da Silva, conhecido como “Bruno Estilo”; Alessander Ribeiro Estrella Rosa, o “Tenente Alessander”; e Diogo Briggs Climaco das Chagas, conhecido como “Briggs”. Este trio é vinculado a práticas que ferem diretamente a segurança pública.
Bruno, por exemplo, recebeu uma pena de 63 anos de prisão em regime fechado, juntamente com o pagamento de 168 dias-multa por sua participação na organização criminosa. Alessander e Diogo, por sua vez, foram condenados a 27 anos de prisão, também em regime fechado, com 44 dias-multa. A Justiça manteve a prisão preventiva desses dois policiais enquanto as apelações não são julgadas.
A Fundação do “Novo Escritório do Crime”
Investigações detalhadas revelaram a estrutura complexa do novo Escritório do Crime, abrangendo comunicação, áudio, vídeos e registros de atividades relacionadas à venda de armamentos de grande calibre, carregadores e munições. Mensagens interceptadas demonstraram uma organização meticulosamente estruturada, com divisões de responsabilidades e laços diretos com milicianos.
A denúncia identificou Thiago Soares Andrade Silva, conhecido como “Ganso”, que supostamente coordenava o planejamento e a execução de homicídios, enquanto outros membros eram responsáveis por monitorar as vítimas e realizar os assassinatos. Entre os crimes relacionados estão os assassinatos de Fábio Romualdo Mendes e Neri Peres Júnior, ambos executados em plena luz do dia em situações que demonstraram um planejamento cuidadoso e ações de emboscada.
Fábio foi brutalmente assassinado em 29 de setembro de 2021, enquanto dirigia na Estrada dos Bandeirantes. O grupo, que incluía Bruno Estilo, Anderson Oliveira Reis Viana, o “Papa” e Rodrigo Oliveira Andrade de Souza, se mobilizou para orquestrar o crime. As tentativas anteriores de emboscada falharam devido à ausência da vítima em locais programados, destacando a determinação dos criminosos.
O Papel dos Policiais no Crime Organizado
Além dos homicídios, as investigações também revelaram um complicado esquema de comércio ilegal de armas. Bruno Estilo foi destacado não apenas como executor de crimes, mas também como negociador de armamentos. Alessander e Diogo são acusados de fornecer material bélico para a organização, incluindo armamentos que teriam sido desviados de operações policiais. A conexão criminosa entre os policiais e o grupo criminoso está sendo analisada pelo Ministério Público.
A sustentação da acusação aponta que Alessander mantinha um vínculo constante com a organização, recebendo pagamentos regulares por fornecer armas e munições. Os registros de conversas anexados à investigação mostram que Diogo também participou ativamente das negociações em outubro e novembro de 2021, indicando uma articulação bem planejada entre os envolvidos.
É alarmante notar que os crimes ocorreram em áreas de intensa movimentação de pessoas e durante horários de pico, evidenciando não só a audácia dos criminosos como também a vulnerabilidade da segurança pública na região. O assassinato de Neri, por exemplo, foi realizado em uma área com grande circulação, utilizando fuzis e pistolas em um ataque que não deixou espaço para defesa.
A Sentença e suas Implicações
A sentença da Justiça vai além da pena de prisão. O tribunal decidiu pela exclusão de Bruno Estilo e Briggs dos quadros da Polícia Militar, enquanto o caso de Alessander será encaminhado ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro para avaliar a perda do posto e da patente. Esta ação reflete um movimento significativo por parte das instituições para coibir a corrupção interna e restaurar a credibilidade das forças de segurança.
A investigação e o subsequente julgamento servem como um importante alerta sobre a necessidade de vigilância constante em relação ao envolvimento de agentes da lei em atividades criminosas. As provas apresentadas, que incluem mensagens e registros digitais, demonstram a gravidade da situação e a necessidade de um combate mais efetivo ao crime organizado.
O caso não só expõe as relações sinistras entre o crime e as forças de segurança no Rio de Janeiro, mas também destaca a importância de medidas rigorosas para garantir que os responsáveis por essas ações sejam responsabilizados. O olhar atento do Ministério Público e a resposta da Justiça são passos essenciais para enfrentar o crescente problema da criminalidade no Estado.




