Investir com visão de longo prazo é essencial em um cenário econômico repleto de decisões complexas. Acelerando o crescimento ou priorizando a redução de dívidas, as empresas enfrentam desafios que exigem uma análise cuidadosa, especialmente em um ambiente de juros altos e inovações tecnológicas.
O Panorama Itaúsa 2026, acontecido em 6 de outubro, destacou a importância de estratégias eficazes sob o lema “Valores em Ação”. Este encontro reuniu líderes da Itaúsa e de empresas como Itaú Unibanco, Aegea, Motiva, Alpargatas e Dexco para explorar caminhos que agreguem valor a longo prazo.
Com acionistas em mais de 90% dos municípios brasileiros e presença em um em cada seis investidores da B3, a Itaúsa se consolida como um grande player no mercado. O CEO Alfredo Setubal ressaltou a confiança de seus mais de 970 mil acionistas, que escolheram a holding pela sua ética e capacidade de gestão.
Essa confiança se refletiu nas vozes dos investidores, que, em uma exposição mostrando a trajetória da Itaúsa, destacaram a solidez e a transparência da companhia. A relação construída ao longo dos anos é um ativo importante para enfrentar os ciclos econômicos que se apresentam.
Ampliação do Portfólio de Investimentos
Nesses últimos anos, a diversificação do portfólio da Itaúsa tem sido um foco significativo. Desde 2017, a holding já investiu mais de R$ 12 bilhões em ativos estratégicos, expandindo sua presença em setores como infraestrutura e consumo. Em 2026, a Itaúsa aumentou sua participação na Aegea para 14% e na Alpargatas para 30,6%, evidenciando seu compromisso em alocar capital em negócios com potencial de crescimento.
Raul Calfat, presidente do Conselho de Administração da Itaúsa, mencionou que, frequentemente, é mais vantajoso aumentar investimentos em empresas já conhecidas do que buscar novos negócios. Isso ocorre porque a análise de novos investimentos não se baseia apenas no retorno financeiro, mas também considera os impactos socioambientais e de governança.
Após os aportes, a holding realiza reuniões mensais e revisões periódicas, o que permite acompanhar o desempenho em relação às expectativas iniciais. Frederico Pascowitch, diretor de Investimentos e Gestão de Portfólio, destacou a importância de analisar a volatilidade dos planos de negócios, integrando uma visão prospectiva de retorno e risco.
Gestão de Crédito e suas Implicações
O Itaú Unibanco, que administra uma carteira de crédito de R$ 1,5 trilhão, conseguiu manter um índice de inadimplência estável por seis trimestres consecutivos. Após a crise de 2015 e 2016, o banco inovou em tecnologia para gerenciar o crédito, avaliando resiliência em diferentes perfis de clientes, o que é crucial em períodos de alta das taxas de juros.
Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco, enfatizou que a criação de valor se dá pela diferença entre o retorno e o custo de capital, ligando sua capacidade de gerar retornos sustentáveis a longo prazo. A abordagem analítica também considera o comportamento financeiro dos clientes e o equilíbrio entre diferentes modalidades de crédito.
As inovações no setor, como a implementação de inteligência artificial e automatização, têm possibilitado um acompanhamento mais eficaz do mercado. Maluhy também alertou que altas taxas de juros podem não ser benéficas para os bancos, pois encarecem as parcelas de empréstimos, aumentando o risco de inadimplência.
Desafios e Oportunidades no Setor de Infraestrutura
A Aegea, que atende mais de 39 milhões de pessoas e possui 37% do mercado de saneamento privado, se destaca entre as prioridades da Itaúsa. A alavancagem da empresa foi de 3,87 vezes, com um crescimento de 55% no Ebitda em comparação ao ano anterior. Radamés Casseb, CEO da Aegea, destacou a importância de aumentar a produtividade e a performance da companhia para melhorar a margem de segurança financeira.
No primeiro semestre, a Itaúsa e o fundo soberano de Singapura, GIC, investiram R$ 3,3 bilhões na Aegea. A empresa está focando em tecnologia para localização de vazamentos, uma kvar que representa custos significativos, especialmente em certas regiões do Brasil.
Enquanto isso, a Motiva tem revisto seu portfólio, reduzindo ativos e intensificando investimentos no setor rodoviário. Miguel Setas, CEO da Motiva, revelou que a empresa está comprometida com mais de R$ 60 bilhões em investimentos, além de implementar tecnologia para otimizar operações e reduzir custos.
Na Alpargatas, a empresa reduziu quase pela metade seu portfólio de produtos, aumentando, assim, suas margens de lucro, com a marca Havaianas vendendo 229 milhões de pares anualmente. As chances de expansão internacional e a adoção de práticas sustentáveis estão entre as estratégias de crescimento da companhia.
A Dexco, após um ciclo de investimentos, está focada em reduzir sua dívida e maximizar a rentabilidade com o uso de inteligência artificial e automação. A empresa procura garantir que suas operações atuais não comprometam seu potencial futuro.
Ao final de uma análise das estratégias apresentadas no Panorama Itaúsa 2026, nota-se uma diversidade de abordagens para a geração de valor a longo prazo, que vão desde a eficiência operacional à inovação em novos mercados. Com mais de 50 anos de história, a Itaúsa continua a buscar oportunidades de investimento que contribuam para o desenvolvimento do Brasil e o crescimento sustentável de seus acionistas.
Alfredo Setubal finalizou o encontro enfatizando que, apesar dos riscos, o Brasil permanece repleto de oportunidades. Com uma abordagem cuidadosa na escolha de investimentos, há um potencial significativo para crescimento e retorno na próxima década.



