O fenômeno El Niño deve moldar o clima em outubro de 2026, trazendo um padrão de precipitação e temperatura similar ao observado em setembro. Este evento climático, classificado como “muito forte”, promete se intensificar durante a primavera, tornando os impactos mais evidentes em todo o Brasil.
Dentre os principais efeitos esperados, destaca-se o risco de ondas de calor, que terá uma maior probabilidade de aparecer nos últimos dias do mês. Simultaneamente, já se observa uma redução nas chuvas nas regiões Norte e Nordeste, resultado da intensa atuação do fenômeno.
Começo de outubro: frentes frias e ciclones em formação
As previsões meteorológicas indicam a possibilidade de ciclones extratropicais e frentes frias atuando no Centro-Sul do Brasil, assim como em países vizinhos, como Paraguai, Argentina e Uruguai. Nos primeiros dias de outubro, a passagem rápida de dois sistemas frontais deverá ser observada.
O primeiro sistema, atuando entre o Sul do país e o Paraguai, avançará sobre os estados do Sudeste e do Centro-Oeste, com duração prevista até o dia 3 de outubro. Uma segunda frente fria começará a se organizar no dia 4, localizando-se entre a Região Sul e o Paraguai, e então avançará para Mato Grosso do Sul e São Paulo, afetando áreas do Rio de Janeiro e partes de Minas Gerais até o dia 6 de outubro.
Como fica cada região do Brasil em outubro
Sul: previsões de tempestades e tornados
A Região Sul deverá experimentar acumulados de chuva superiores ou levemente superiores à média histórica. Em praticamente todas as áreas, a expectativa é de poucos dias secos, com chuvas concentradas em Santa Catarina e Paraná.
O noroeste do Rio Grande do Sul e o sudoeste de Santa Catarina são as áreas com maior expectativa de precipitação, oscilando entre 260 mm e 300 mm. Segundo a Climatempo, há alerta para tempestades severas em todos os estados da região, com rajadas de vento superiores a 90 km/h, queda volumosa de granizo e potencial para ocorrência de tornados.
Sudeste: chuvas e calor contrastantes
No Sudeste, os volumes de chuva são esperados acima da média, especialmente nas capitais, com instabilidades mais intensas na primeira e última semana de outubro. Enquanto as chuvas prevalecem, as temperaturas em várias áreas do estado de São Paulo e partes do sul do Rio de Janeiro e Minas Gerais devem se manter abaixo da média devido ao excesso de nuvens e chuvas.
Por outro lado, temperaturas acima da média e risco de ondas de calor estão concentrados no norte de Minas, centro-norte do Espírito Santo e algumas áreas fluminenses, especialmente no final do mês, onde os termômetros podem atingir quase 40°C, especialmente no norte e oeste de Minas e no norte paulista.
Centro-Oeste: calor extremo e chuvas irregulares
O volume de chuvas na região deve ficar abaixo da média em grande parte de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e nas partes oeste, sul e leste de Mato Grosso. Apesar disso, pancadas mais expressivas devem ocorrer na primeira e última semanas do mês, especialmente no sul e sudoeste sul-mato-grossense.
Esperam-se temperaturas consistentemente elevadas, superando 40°C em diversas áreas, com um cenário de sequências de dias extremamente quentes. O aumento de calor e o risco de ondas de calor continuarão sendo foco de atenção na segunda quinzena de outubro.
Nordeste: tempo seco e riscos de queimadas
No interior do Nordeste, o predomínio de tempo seco e quente será uma constante, com volumes de chuva abaixo da média em grande parte das áreas. O clima seco e quente provoca alertas significativos para queimadas.
A exceção será o sudoeste da Bahia, onde as chuvas poderão superar a média normal. As condições para pancadas de chuva terão mais força na última semana do mês, especialmente no oeste e sul da Bahia, e no sul do Maranhão e Piauí.
As temperaturas devem se manter acima da média na região, com riscos de ondas de calor amplificados na segunda quinzena de outubro.
Norte: impacto da redução de chuvas
A Região Norte deve enfrentar precipitações abaixo do esperado devido à atuação do El Niño. As áreas fronteiriças entre o Amazonas, Pará e Roraima são as mais afetadas. Enquanto isso, áreas como Acre, Rondônia e o oeste e sul do Amazonas poderão ver uma maior frequência de chuvas nas duas primeiras semanas do mês.
Com as temperaturas tendendo a ficar acima do normal, o calor nas capitais deve intensificar o risco de ondas de calor a partir do meio do mês.



