Entretenimento

Livro de Conceição Evaristo estreia na biblioteca de Dua Lipa.

Livro de Conceição Evaristo estreia na biblioteca de Dua Lipa.

O livro “Olhos D’água”, lançado em 2014 por Conceição Evaristo, 79, foi escolhido como a primeira obra a ser disponibilizada na Biblioteca Manifesta, na livraria Lello, em Portugal. Esta escolha ressalta a importância da obra e de sua mensagem em um contexto literário que busca dar voz a autoras e autores muitas vezes marginalizados.

O espaço foi idealizado em parceria com a cantora Dua Lipa, 30, por meio do Service95, clube do livro da diva pop. Essa união de forças tem o objetivo de promover obras que abordam questões sociais e culturais relevantes, como a luta pelos direitos das mulheres e a valorização da literatura negra.

Nas redes sociais, Conceição compartilhou a novidade com os seguidores: “Junto à recepção calorosa que recebi na Livraria Lello, na cidade do Porto, em Portugal, tive a grata surpresa de saber que o livro ‘Olhos D’água’, de minha autoria, foi escolhido como a primeira obra para ocupar as prateleiras da Manifesto Library”. Essa celebração mostra o impacto positivo que a obra tem gerado e como ela continua a ressoar entre leitores de diferentes partes do mundo.

Recentemente, a Biblioteca Manifesto foi anunciada como uma oportunidade dos leitores terem acesso a livros proibidos ou censurados. O acervo também vai incluir obras como “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, e ‘Felon’, de Reginald Dwayne Betts. Esta iniciativa visa garantir que vozes diversas sejam ouvidas, permitindo uma reflexão mais profunda sobre as realidades sociais.

“É um santuário para livros que desapareceram, para autores cuja coragem desmascara estruturas de poder e controle, e para leitores que se recusam a aceitar que lhes digam qual livro podem ler”, declarou Dua Lipa sobre o projeto. Essa visão se alinha à proposta de Evaristo, que tem sido uma voz ativa na luta pelos direitos e pela representatividade.

Reunindo 15 contos protagonizados por mulheres negras, “Olhos D’água” mergulha nas complexidades da pobreza, da violência urbana e dos dilemas sociais, sexuais e existenciais de suas personagens. A obra destaca a força e a resistência dessas mulheres, apresentando suas histórias de forma sensível e impactante.

Dona de uma vasta e influente obra, Evaristo é mestra em literatura brasileira pela PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), onde defendeu a dissertação “Literatura Negra: Uma Poética de Nossa Afro-brasilidade”. Essa formação acadêmica contribui para a profundidade de suas narrativas e para a discussão sobre a literatura negra no Brasil.

Além da vida acadêmica, a escritora participou ativamente de movimentos de valorização da cultura negra no país, consolidando-se como uma voz fundamental na luta antirracista. Suas contribuições não se restringem ao campo literário, mas se estendem para o ativismo e a promoção de políticas públicas que visam a inclusão e a justiça social.

Os lugares favoritos de Dua Lipa pelo mundo, incluindo São Paulo e Rio

Em um mundo onde as vozes e representações ainda são limitadas, a Biblioteca Manifesto emerge como um espaço crucial. Através da disponibilização de obras significativas, como “Olhos D’água”, promove-se um diálogo sobre as questões sociais que permeiam a sociedade contemporânea.

A obra de Conceição Evaristo, com seu olhar aguçado sobre as realidades das mulheres negras, é um convite a refletir sobre a complexidade das narrativas humanas e a importância da representatividade na literatura. Ao escolher “Olhos D’água” como a obra inaugural, a Biblioteca Manifesto não apenas presta homenagem a Evaristo, mas também a todas as vozes que frequentemente ficam à margem dos discursos hegemônicos.

Em suma, “Olhos D’água” é mais que um livro; é uma declaração de princípios sobre a importância da diversidade e da inclusão no mundo literário. A iniciativa de Dua Lipa e sua equipe em promover um espaço para obras censuradas é um passo importante em direção a um futuro onde todas as histórias possam ser contadas e ouvidas, reafirmando o poder transformador da literatura.