O julgamento da morte de Henry Borel será retomado, nesta quarta-feira (3), no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, após o início dos interrogatórios dos réus realizados ao longo desta terça-feira (2).
O depoimento de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, foi iniciado às 16h52 de terça. Jairinho responde apenas às perguntas formuladas pela própria defesa. Mais cedo, Monique Medeiros foi interrogada e acusou o ex-vereador pela morte do filho.
Segundo o TJRJ, encerrada a fase de instrução do processo, o julgamento entra nos debates entre acusação e defesa.
Primeiro, o Ministério Público fará a acusação nos limites definidos pela pronúncia. Em seguida, poderá falar o assistente de acusação e, depois, as defesas dos réus. Como o caso possui dois acusados, o tempo dos debates é ampliado.
A acusação terá até 2h30 para sustentação oral. Depois disso, cada defesa terá até 2h30 para apresentação dos argumentos aos jurados. Na sequência, o Ministério Público poderá fazer réplica por até duas horas. Já as defesas terão direito à tréplica, também por até duas horas cada.
Possíveis esclarecimentos e votação
Após os debates, os jurados poderão solicitar esclarecimentos adicionais, consultar partes do processo e ter acesso aos instrumentos relacionados ao caso. Se houver necessidade de apuração complementar de algum fato considerado imprescindível, o juiz poderá determinar diligências antes da votação.
Na fase final, o Conselho de Sentença responderá aos quesitos sobre autoria, materialidade do crime e eventual absolvição dos acusados. As decisões são tomadas por maioria dos votos dos jurados.
Concluída a votação, caberá ao juiz responsável pelo júri anunciar a sentença.
Como foi o nono dia
Durante interrogatório no julgamento da morte de Henry Borel, nesta terça-feira (2), o ex–vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, afirmou que já “deu banda” em Henry durante brincadeiras.
A expressão se refere a uma ação semelhante a uma rasteira. Ele disse que fazia isso segurando o menino pelo braço e afirmou que familiares de Monique Medeiros presenciaram as situações.
“Eu já brinquei de dar banda no Henry sim”, declarou. O réu afirmou ainda que também brincava da mesma forma com o próprio filho e negou que as situações ocorressem escondidas.
“Não foi escondido”, disse. Durante o depoimento, Jairinho também afirmou que raramente ficava sozinho com Henry. “Eu nunca levei o Henry nem pra comprar uma bala sozinho”, afirmou.
Segundo ele, o único dia de que se recorda ter permanecido com Henry sem Monique foi quando também estavam presentes a babá e a empregada doméstica.
Choro durante julgamento
Jairinho chorou ao olhar uma foto do sobrinho Theo, filho de sua irmã, com TEA (Transtorno do Expecto Autista). Durante o início do depoimento, ele falou sobre a relação com o menino e afirmou que os dois são muito apegados.
As perguntas estão sendo conduzidas por uma advogada da equipe de defesa do réu. Monique Medeiros não está presente no plenário durante o interrogatório de Jairinho.
Monique culpa Jairinho e cita rotina de ciúmes e controle
Ao longo do interrogatório, Monique Mederios afirmou que o comportamento de Jairinho mudou gradualmente e que, inicialmente, interpretava determinadas atitudes como demonstrações de cuidado. Ela relatou episódios de ciúmes, controle e violência durante o relacionamento.
Segundo ela, os dois se conheceram em agosto de 2020, por meio do Instagram, e começaram a se relacionar após o período eleitoral daquele ano.
Monique afirmou que o controle começou quando Jairinho pediu acesso à sua localização em tempo real. De acordo com o relato, ela acreditava que aquilo era uma demonstração de preocupação. Com o passar do tempo, segundo a ré, o então vereador passou a controlar amizades, roupas e publicações nas redes sociais.
“Não gostava que eu conversasse com homens nem que publicasse fotos de biquíni”, afirmou. Ainda segundo Monique, Jairinho dizia que, por ser um homem “politicamente exposto”, ela precisava mudar a forma de se vestir.
A ré declarou também que chegou a acreditar que o ex-vereador havia grampeado seu telefone, porque ele parecia saber detalhes sobre sua rotina, os lugares que frequentava e até as roupas que usava.



