Polícia

CV e PCC como “terroristas”: conheça os líderes do crime no Brasil

CV e PCC como “terroristas”: conheça os líderes do crime no Brasil

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira (28), que classificou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como “Terroristas Globais Especialmente Designados”. Essa determinação tem implicações significativas não apenas no Brasil, mas em muitas regiões onde essas facções operam.

De acordo com o comunicado, os EUA pretendem designar oficialmente os dois grupos criminosos como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho, afirmando assim a seriedade das atividades de criminalidade organizada que eles lideram.

A classificação se dá em razão da sua participação em esquemas ligados ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, além de assassinatos e a atuação internacional que ambas as facções mantêm. Essa situação acende os alertas sobre o impacto dessas organizações na segurança pública e na estabilidade política de várias regiões.

Márcio dos Santos Nepomuceno e o Comando Vermelho

O narcotraficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, é apontado como o chefe máximo do Comando Vermelho, mesmo cumprindo pena em presídio federal. Nascido em Vigário Geral, na zona Norte do Rio de Janeiro, em fevereiro de 1970, ele se mudou ainda na infância para São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde seu envolvimento com o crime teve início aos 13 anos, conforme narrado em sua autobiografia “O Direito Penal do Inimigo: Verdades e Posições”.

Marcinho foi preso em agosto de 1996, quando foi condenado a 36 anos de prisão por homicídio. A conexão da sua história com o crime organizado é uma representação clara da continuidade e transformação das facções no Brasil. Ele é considerado o presidente da facção, mesmo de dentro da prisão, o que evidencia a dificuldade em controlar a criminalidade.

Edgard Alves de Andrade e a liderança no Rio de Janeiro

Nas ruas, o Comando Vermelho mantém lideranças ativas e uma das mais notórias é Edgard Alves de Andrade, também conhecido como “Urso”.

Conhecido como “Doca” ou “Urso”, Edgard Alves de Andrade é apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho • Disque Denúncia

Ele é considerado um dos criminosos mais procurados do estado do Rio de Janeiro e é classificado como de “altíssima periculosidade”. Como chefe do tráfico em comunidades dominadas pela facção, sua influência se estende a mais de 100 homicídios, inclusive execuções brutalmente violentas.

Recentemente, Doca foi implicado em ordens de execução de profissionais de saúde, confundidos com milicianos, revelando uma dinâmica de violência extrema que tem afetado a população civil. A atuação do Comando Vermelho reflete um ciclo de violência e impunidade que ainda persiste no Brasil.

Marcos Willians Herbas Camacho e o PCC

No contexto do PCC, o principal nome das autoridades é Marcos Willians Herbas Camacho, amplamente conhecido como Marcola. Nascido em Osasco, em 1968, ele canalizou sua juventude de dificuldades em uma ascensão ao crime organizado, onde se destacou em diversas operações de tráfico de drogas.

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola • Joedson Alves/Estadão Conteúdo

A sua ascensão ao controle do PCC ocorreu após conflitos internos na facção, resultando em um domínio que se espalhou por todo o Brasil, incluindo conexões com organizações criminosas internacionais, como a máfia italiana. Marcola, apesar de ser uma figura central no PCC, frequentemente nega ser o líder, uma manobra que reflete a complexidade e a clandestinidade das operações da facção.

Além dele, Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Mijão”, é outro nome proeminente dentro do PCC, identificado como o “número um” da facção nas ruas. Sua inclusão na cúpula conhecida como “Sintonia Final” ilustra a estrutura hierárquica e a organização dentro do PCC que facilita seu funcionamento.

O crime organizado no Brasil, representado por agrupamentos como o Comando Vermelho e o PCC, demonstra a necessidade urgente de abordagens estratégicas e integradas para enfrentar as questões de segurança, justiça e os impactos sociais que essa criminalidade gera na sociedade Brasileira e em todo o cenário internacional.