Polícia

Estudo aponta como agressores aliciam adolescentes na internet com segurança

Uma pesquisa inédita do ChildFund Brasil revelou como agressores utilizam jogos on-line, redes sociais e aplicativos de mensagem para aliciar adolescentes na internet.

O levantamento faz parte da terceira fase do estudo “Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet” e traz, pela primeira vez, entrevistas com vítimas e perpetradores de violência sexual on-line no Brasil.

Os resultados foram divulgados durante o seminário “Maio Laranja: proteger é cuidar em todo lugar”, realizado na Câmara Municipal de São Paulo, em referência ao mês de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.

O papel da tecnologia na aliciação de adolescentes

Segundo o estudo, os abusadores costumam explorar relações de confiança, ausência de supervisão e ambientes digitais frequentados diariamente por adolescentes para se aproximar das vítimas. Essa prática se manifesta em diversas plataformas, onde os jovens estão mais expostos e vulneráveis.

A pesquisa também aponta falhas no conhecimento sobre mecanismos de proteção. De acordo com o levantamento, 94% dos adolescentes entrevistados afirmaram não saber como denunciar casos de violência sexual on-line. Essa falta de conhecimento pode ser um facilitador para os abusos, tornando ainda mais urgente a necessidade de conscientização e educação sobre o tema.

Abordagem da pesquisa e resultados obtidos

O estudo foi realizado ao longo de três anos e reuniu dados quantitativos e qualitativos. Na primeira etapa, foram ouvidos 8.436 adolescentes entre 13 e 18 anos em todas as regiões do país. Já a segunda fase contou com grupos focais presenciais realizados com estudantes de escolas públicas e privadas de Minas Gerais e Ceará. Esses métodos de pesquisa ajudaram a construir um panorama mais abrangente sobre as experiências dos adolescentes em relação à segurança na internet.

A etapa mais recente foi desenvolvida em parceria com o Instituto Tecnologia e Dignidade Humana e buscou aprofundar aspectos ligados às motivações, contextos e dinâmicas utilizadas por agressores no ambiente digital. Os dados coletados oferecem uma visão mais clara das estratégias que os agressores utilizam, permitindo a construção de intervenções mais eficazes para a proteção dos jovens.

Intervenções necessárias para proteção dos adolescentes

Segundo Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund, a violência sexual on-line contra crianças e adolescentes exige respostas integradas entre Estado, famílias, escolas, sociedade civil e empresas de tecnologia. Essa integração é crucial para criar um ambiente mais seguro, onde adolescentes possam navegar na internet sem o medo de serem aliciados ou vítimas de violência.

“O estudo reforça a urgência de olhar para a violência sexual on-line contra crianças, jovens e adolescentes como um fenômeno complexo, que exige respostas articuladas entre o Estado, sociedade civil e empresas de tecnologia”, afirma Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund. A colaboração entre diferentes setores é fundamental para a implementação de políticas públicas eficazes e ações educativas que promovam a segurança online.

Além disso, é essencial que os responsáveis pela educação dos jovens, sejam pais ou educadores, estejam atentos às dinâmicas da internet e forneçam as ferramentas necessárias para que os adolescentes consigam identificar e se proteger de situações de risco.