Mundo

Samarco tem prejuízo de US$ 1,12 bilhões no 1º trimestre 2023

Samarco tem prejuízo de US$ 1,12 bilhões no 1º trimestre 2023

A Samarco, joint venture das mineradoras Vale e BHP, registrou prejuízo líquido de US$ 1,12 bilhão no primeiro trimestre, ante resultado negativo de US$ 1,52 bilhão no mesmo período de 2025. O desempenho foi impactado por efeitos cambiais e despesas com a reparação do rompimento da barragem de Mariana, apesar das vendas mais fortes neste período.

A perda refletiu resultado financeiro negativo de US$ 1,25 bilhão entre janeiro e março, com forte impacto da variação cambial sobre passivos, que atingiu US$ 965 milhões, e despesas financeiras relacionadas à reparação, totalizando US$ 371 milhões. A empresa informou esses dados nesta sexta-feira (8).

Durante uma teleconferência com investidores, o diretor Financeiro, de Estratégia e Suprimentos da Samarco, Gustavo Selayzim, ressaltou que o resultado líquido continua sendo fortemente influenciado pelos passivos de reparação, mas sem um impacto significativo no caixa da empresa. Isso reflete uma situação delicada, que exige monitoramento, mas que também mostra sólido fluxo operacional.

Receita e Vendas no Mercado

No primeiro trimestre, a receita líquida da Samarco alcançou US$ 403,6 milhões, um leve aumento em comparação aos US$ 400,4 milhões registrados no mesmo trimestre do ano anterior. O avanço de 12% nas vendas ajudou a compensar a queda nos preços. As vendas totalizaram 3,2 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro, comparados a 2,8 milhões no mesmo período de 2025.

O aumento na produção, que totalizou 3,8 milhões de toneladas, representa uma alta de 18% na mesma comparação. Essa diferença entre produção e vendas reflete uma mudança pontual no calendário de embarques, conforme explicou o executivo Selayzim, e não uma deterioração da demanda. A empresa tem uma visão otimista e espera vender 100% do que será produzido ao longo do ano.

Desempenho Financeiro e Perspectivas

O preço médio realizado para as vendas foi de US$ 127,3 por tonelada, o que representa um recuo de 9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O preço médio das pelotas ficou em US$ 130,3 por tonelada, com uma queda de 8%. Além disso, o Ebitda ajustado da mineradora somou US$ 192,7 milhões no trimestre, apresentando uma queda de 23% ano a ano, resultado da pressão exercida por custos mais altos e preços menores.

O custo caixa C1 aumentou 14%, alcançando US$ 47,7 por tonelada, em grande parte devido à valorização do real frente ao dólar. Selayzim comentou que a diminuição do Ebitda não é motivo de alarme; ele acredita que parte da produção ainda será capturada Nas vendas nos meses seguintes, mantendo assim a projeção de Ebitda para 2026.

Fluxo de Caixa e Investimentos Futuros

A companhia reportou um fluxo de caixa livre operacional de US$ 183 milhões no trimestre, o que representa uma alta de 7% em comparação anual. Contudo, o fluxo de caixa livre total caiu 44%, para US$ 129,8 milhões, refletindo um aumento nos desembolsos relacionados às atividades de reparação. Isso indica que a Samarco está comprometida com sua responsabilidade social e ambiental, apesar dos desafios financeiros.

No que diz respeito às obrigações de reparação, a Samarco informou a execução de US$ 320,2 milhões até o final de março. Desse total, US$ 267 milhões foram cobertos por aportes feitos pelos acionistas neste ano, com o restante proveniente de recursos já disponibilizados anteriormente. A mineradora continua operando com aproximadamente 60% da capacidade instalada.

Planos de investimento de R$ 13,8 bilhões foram delineados até 2028, com o objetivo de restabelecer a capacidade produtiva a 100%. A fase 3 da retomada operacional é vista como uma etapa crucial nesse processo. Vale lembrar que a mineradora ficou cinco anos sem operar após o rompimento da barragem de Fundão em 2015, um desastre que causou danos sociais e ambientais significativos, resultando em 19 mortes e graves consequências para a bacia do Rio Doce.

Assim, a Samarco se posiciona em um cenário desafiador, mas com um olhar voltado para a recuperação e responsabilidade em relação ao seu impacto no meio ambiente e na sociedade.