A variante BA.3.2 da Covid-19, também conhecida como Cicada, foi identificada pela primeira vez em novembro de 2024 na África. Desde então, sua disseminação tem sido rápida, com registros em 23 países até fevereiro de 2026, incluindo 29 estados dos Estados Unidos, onde sua presença foi detectada tanto em pacientes quanto em amostras de esgoto.
Características Distintas da Variante BA.3.2
Marcelo Otsuka, especialista em infectologia do Hospital Infantil Darcy Vargas, destaca que a BA.3.2 apresenta mutações significativas em comparação com outras variantes do coronavírus. Essas mutações aumentam sua transmissibilidade, mas até o momento, não há evidências de que ela cause casos mais severos do que as variantes anteriores identificadas nos EUA durante o inverno de 2025 e 2026.
Impacto das Mutações e Vacinas
A nova variante contém entre 70 e 75 mutações na proteína spike, crucial para a entrada do vírus nas células e um dos principais alvos das vacinas. Apesar da preocupação com a eficácia vacinal, Otsuka afirma que as vacinas continuam a oferecer proteção, especialmente aquelas desenvolvidas a partir da variante JN1. Contudo, isso indica a necessidade de atualizações regulares para garantir a eficácia das vacinas contra novas variantes.
Monitoramento e Adaptação das Vacinas
O acompanhamento contínuo das variantes é fundamental para entender sua prevalência, impacto clínico e a capacidade de escapar da resposta imunológica. Essa vigilância é similar ao que ocorre com a gripe, onde novas variantes são analisadas anualmente para a formulação de vacinas atualizadas. O SARS-CoV-2, que inicialmente encontrava-se em uma população suscetível, agora circula entre indivíduos com algum nível de imunidade devido a infecções anteriores e vacinas. Assim, a adaptação das vacinas às variantes emergentes continua a ser uma estratégia essencial no controle da Covid-19.
Os tratamentos disponíveis ainda apresentam eficácia limitada, ressaltando a importância da vacinação como a principal estratégia de controle. Monitorar a evolução do vírus e ajustar as vacinas conforme a prevalência das novas variantes é um processo natural e indispensável para minimizar o impacto da doença na população.


