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À CNN, defesa cita acordo e surpresa sobre passaporte de Flávio

À CNN, defesa cita acordo e surpresa sobre passaporte de Flávio

O advogado de Flávio Bolsonaro, Tracy Reinaldet, revelou detalhes sobre a entrega dos passaportes à Polícia Federal, em conformidade com uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em uma entrevista à CNN, Reinaldet informou que tinha uma reunião agendada com o senador para discutir questões técnicas do processo, onde combinou que buscaria os documentos na terça-feira, dia 27, o que seria o prazo final para a entrega.

Durante essa reunião, o advogado afirmou que não houve qualquer menção sobre a possibilidade de o senador deixar o país. Reinaldet enfatizou que apenas foram debatidas questões processuais, e a notícia de que Flávio estava viajando para os Estados Unidos pegou-o de surpresa. “Fiquei sabendo pela imprensa, assim como todos”, declarou o advogado.

Contexto Jurídico e Viagem ao Exterior

No dia 26 de setembro, Flávio Bolsonaro foi intimado a entregar não apenas o passaporte brasileiro, mas também quaisquer outros documentos de identificação que facilitassem suas viagens internacionais. A decisão de Moraes também impedia o senador de ter contato com Willer Tomaz, um advogado envolvido em investigações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Contrariando a determinação judicial, Flávio saiu do Brasil em direção aos Estados Unidos no dia seguinte, descumprindo a ordem do STF. A proibição de deixar o território nacional foi uma das medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, o que levanta questões sobre a legalidade de sua viagem.

Posição da Defesa

A defesa do senador argumenta que não havia necessidade de descumprir a medida cautelar, pois informações do banco Santander teriam sustentado a inocência de Flávio. De acordo com Reinaldet, o banco apresentou dados que mostrariam que o senador não havia utilizado a conta em questão e que não haveria transferências bancárias relacionadas.

“A percepção técnica da defesa é que o Santander desconstruiu a hipótese investigativa. Não havia necessidade alguma de descumprir a medida cautelar”, afirmou o advogado, defendendo a posição de que houve uma má interpretação dos fatos por parte das autoridades.

Investigações em Andamento

A investigação que envolve Flávio Bolsonaro tramita no STF devido ao foro privilegiado do senador e busca apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, especialmente relacionado a Willer Tomaz. A Polícia Federal levantou informações que sugerem a ligação econômica e societária de Flávio com empresas associadas a Tomaz, notadamente a Alcazar Holding.

As autoridades estão analisando movimentações expressivas que totalizam R$ 130 milhões, ocorridas entre março e maio de 2025, que se mostram incompatíveis com a renda e as atividades financeiras do senador. Além disso, investigações relacionadas a possíveis irregularidades em apostas esportivas e fraudes em licitações no Rio de Janeiro também estão em curso.

Willer Tomaz, por sua vez, atualmente residente nos Estados Unidos, já enfrentou investigações no passado, incluindo ações de busca e apreensão sob a Operação Sem Desconto, que investiga irregularidades relacionadas ao INSS.

Pela atual situação, Reinaldet revelou que ainda não teve a oportunidade de dialogar com Flávio desde sua saída do Brasil. A indefinição sobre os próximos passos da defesa permanece, enquanto as investigações continuam em andamento.

*Sob supervisão de Mayara da Paz

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