A Americanas avança em seu plano de venda de lojas deficitárias do Natural da Terra para a rede Oba Hortifruti, em um acordo de R$ 69,3 milhões firmado em maio. Na quinta-feira (22), a empresa anunciou a conclusão da venda da sexta unidade, das dez previstas no contrato.
Essas lojas foram vendidas como parte do plano de recuperação judicial da Americanas. Os valores recebidos à vista e as parcelas subsequentes estão sendo depositados em uma conta vinculada, com o objetivo de amortização extraordinária de debêntures, seguindo as diretrizes do seu plano de reestruturação.
Na terça-feira, dia 20, a Justiça do Rio de Janeiro decretou o fim da recuperação judicial da Americanas, que já havia solicitado o encerramento do processo em março. A empresa precisou buscar proteção contra credores em janeiro de 2023, devido a dívidas que totalizavam R$ 43 bilhões, após revelações de inconsistências contábeis que chegavam a R$ 20 bilhões.
Reestruturação e recuperação de ativos
Desde então, a varejista tem focado na redução de operações e na reformulação de sua atuação no e-commerce, além de concentrar esforços na recuperação das lojas físicas. A venda das lojas do Natural da Terra é um elemento fundamental dessa estratégia.
Para o Oba, adquirir lojas deficitárias representa uma oportunidade de aumentar a escala e potencializar a conversão das unidades. No setor de hortifrúti e no varejo de vizinhança, a localização é um dos ativos mais valiosos e difíceis de adquirir, e muitas das unidades do Natural da Terra estão situadas em bairros nobres e de alto poder aquisitivo no Estado de São Paulo, que constroem o público-alvo do Oba.
Consolidação no varejo alimentar
O setor de varejo alimentar está vivendo um forte momento de consolidação. Ao absorver dez lojas simultaneamente, o Oba consegue acelerar sua expansão no mercado paulista de uma forma muito mais eficiente do que se tivesse que prospectar terrenos e construir novas unidades do zero. Este tipo de estratégia é essencial em um cenário competitivo, onde a rapidez e a eficiência operacional são cruciais.
Pela sexta loja adquirida, o Oba Hortifruti pagou à vista R$ 660,6 mil, o que representa 6,3% do total da operação. De acordo com o comunicado, após a dedução dos custos relativos a fusão e aquisição, o saldo restante foi direcionado para a amortização extraordinária das debêntures da 22ª emissão da empresa, conforme as diretrizes do seu processo de recuperação judicial.
Detalhes da operação e impactos financeiros
O valor restante devido pelos ativos da sexta unidade será quitado em 24 parcelas mensais, iguais e consecutivas, corrigidas pela variação positiva do CDI, iniciando a contagem após o fechamento do acordo. O primeiro vencimento está agendado para o dia 15 do mês subsequente.
A operação, além de ser parte da reestruturação da Americanas, também reflete as estratégias do Oba em melhorar sua presença em locais estratégicos dentro do mercado alimentício. Esta evolução não apenas é benéfica para as duas empresas, mas também contribui para a dinâmica do varejo como um todo, mostrando que a recuperação financeira e a expansão de mercado podem caminhar lado a lado.
Com o panorama em transformação e o fortalecimento da organização, a Americanas busca um futuro mais sólido e equilibrado. Por sua vez, o Oba continua a construir um portfólio robusto, aproveitando as oportunidades que surgem no mercado, com foco na maximização de resultados e na satisfação do cliente.

