O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e o empresário Leonardo Bortoletto debateram, na quarta-feira (21), em O Grande Debate, sobre “Abstenção ou indeciso: quem decide o 2º turno?”. A discussão surge em um cenário complexo, onde a expectativa em relação à participação dos eleitores é alta e os indecisos podem se tornar uma força influente nas próximas eleições.
O percentual de eleitores indecisos na pesquisa espontânea da Quaest dobrou em uma semana, passando de 7% para 14%, segundo levantamento divulgado na última quarta-feira (21). O cenário revela uma disputa extremamente acirrada, com Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente empatados, cada um com 40% das intenções de voto. Essa crescente taxa de indecisão levanta questões sobre o que poderá influenciar a decisão desses eleitores no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Abstenção tende a crescer no segundo turno
Leonardo Bortoletto avalia que os votos dos dois candidatos já estão, em grande medida, consolidados, e que a margem de mobilização adicional é muito pequena nas horas que antecedem a eleição. Segundo ele, a abstenção deve seguir o padrão histórico das eleições presidenciais brasileiras após a redemocratização, quando o índice de eleitores que não comparecem às urnas tende a ser maior no segundo turno do que no primeiro. “A abstenção, eu acredito que vai seguir a regra histórica das últimas eleições, com exceção da última”, afirmou Bortoletto.
Além disso, Bortoletto destacou que, no segundo turno, estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais não têm eleições para governador, o que reduz a mobilização dos palanques estaduais. A influência de campanhas de deputados federais, estaduais e senadores, que também não estão em curso, tende a diminuir o engajamento do eleitorado. “Eu acredito que ainda a definição está no indeciso”, concluiu.
Indecisão pode mudar o resultado da eleição
José Eduardo Cardozo concordou com a análise sobre o enfraquecimento dos palanques estaduais, mas também ressaltou a possibilidade de que o clima político acirrado motive eleitores que não votaram no primeiro turno a comparecerem no segundo. “O calor político pode motivar pessoas a votarem”, disse Cardozo, citando o exemplo de eleitores que afirmaram ter deixado de votar no primeiro turno e que pretendem fazê-lo no segundo.
Cardozo enfatizou que as margens de erro nas pesquisas, que variam em torno de 2%, tornam qualquer variável significativa — seja uma maior ou menor abstenção, ou a decisão dos indecisos — suficiente para influenciar o resultado final. “Realmente, a abstenção e indecisos podem determinar a pequena margem de diferença do resultado final”, afirmou. Ele caracterizou a luta como uma das mais disputadas da história recente do país, prevendo uma apuração que pode se estender até os instantes finais sem que se tenha certeza sobre quem será o vencedor.
O que pode mobilizar os eleitores?
Neste contexto, é imprescindível entender o que pode mobilizar os eleitores que ainda permanecem indecisos. A segurança em relação ao candidato pode influenciar significativamente a decisão no segundo turno. Campanhas mais eficazes e que apresentem propostas claras podem ser determinantes para atrair esses votos. Além disso, o aumento da presença nas redes sociais e a mobilização de grupos de apoio podem ser estratégias eficazes para engajar os indecisos.
A participação das mídias sociais na direção das campanhas tem mostrado um crescente impacto sobre os eleitores, especialmente os mais jovens, que tendem a buscar informações e se conectar com iniciativas que traduzam suas expectativas. Portanto, tanto os partidos quanto os candidatos precisam estar atentos a essa dinâmica, promovendo diálogos que possam cativar esses eleitores e incentivá-los a participar.
Ademais, fatores externos que dialogam com demandas sociais, como saúde e educação, podem se mostrar decisivos para a motivação da população. O resultado da eleição pode, assim, depender não apenas da comunicação direta dos candidatos, mas também do engajamento em questões que impactam diretamente a vida dos eleitores.
Em resumo, a abstenção e os indecisos desempenharão um papel crucial na definição do segundo turno. O desafio para os candidatos será mobilizar os eleitores e oferecer propostas que ressoem com suas preocupações. Com a disputa tão acirrada e os fatores de decisão em jogo, a atenção deve estar voltada para as últimas semanas que antecedem a votação, onde tudo pode mudar e o futuro do país pode ser decidido.

