A véspera do segundo turno, neste sábado (24), terá uma sequência de pesquisas nacionais sobre a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As pesquisas recentes preveem um retrato próximo da votação de domingo (25), mas é fundamental analisar estes dados considerando o período das entrevistas, a metodologia e possíveis mudanças de última hora.
Serão divulgadas sondagens de AtlasIntel, Datafolha, Quaest, Futura/100% Cidades, MDA, Nexus, Palver e Veritá.
Não há um horário único determinado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), uma vez que a programação varia conforme cada instituto e os responsáveis pela publicação. O registro permite a divulgação, mas a empresa não é obrigada a publicar os resultados.
Registro de pesquisas eleitorais
A Lei das Eleições determina que o cadastro no PesqEle deve ser feito com, no mínimo, cinco dias de antecedência em relação à divulgação. Devem constar informações como contratante, financiamento, metodologia, período de coleta, plano amostral e questionário.
De acordo com o TSE, a última segunda-feira (19) foi o prazo final para registrar pesquisas que seriam divulgadas no dia da votação.
Na publicação dos resultados, é obrigatório informar o período da coleta, o número de entrevistas, a margem de erro, o nível de confiança, o instituto responsável, o contratante e o número de registro. Essas informações ajudam a entender a validade do levantamento e os percentuais dos candidatos.
Em 2026, o Tribunal aprimorou o sistema, conseguindo aumentar a clareza acerca da amostra, dos procedimentos de campo e da ordem das perguntas. Segundo o TSE, a atualização aprimora a apresentação das informações já exigidas.
Importância da data das entrevistas
Publicar no sábado não significa que todas as entrevistas foram feitas naquele dia. Para avaliar se uma pesquisa realmente reflete um evento recente, é necessário verificar quando a coleta foi realizada.
Neste segundo turno, o debate da Globo está agendado para sexta-feira (23), último dia para a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Diante disso, se a coleta foi realizada na própria sexta, ela pode não captar reflexos desse encontro na emissora.
Para Leonardo Paz, cientista político e professor do Ibmec-RJ (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais do Rio de Janeiro), as pesquisas finais são relevantes especialmente para os indecisos e aqueles que pensam em não comparecer.
Ao perceber que um candidato rejeitado pode vencer, uma parte desse público pode se motivar a comparecer às urnas. “A máxima na política é clara: no primeiro turno, você vota em quem você quer; no segundo, você vota contra quem você não quer”, explica.
Paz destaca que essas últimas pesquisas são o termômetro final, proporcionando um último retrato da percepção dos eleitores no momento da eleição.
Entretanto, ele ressalta que informações que circulam nas redes sociais também podem impactar as escolhas do eleitor. “Hoje, o indivíduo pode acessar uma quantidade enorme de informações via Instagram, WhatsApp, Facebook ou e-mails, o que pode influenciar sua decisão no dia da votação”, ressalta.
Retrato e influência no voto
Leandro Consentino, cientista político do Insper, também menciona dois efeitos significativos: a capacidade das pesquisas de representar uma escolha mais consolidada e a possibilidade de que os próprios resultados influenciem o eleitor.
Uma pesquisa realizada perto da data da votação é mais eficaz em captar a intenção de voto do eleitor do que aquelas realizadas com muito mais antecedência. A redução no espaço entre a coleta e a votação, embora não elimine a potencialidade de mudanças, busca trazer um retrato mais acurado das emoções do eleitorado naquele momento.
Consentino reitera o ponto de Paz sobre o fato de que os números podem inspirar uma escolha estratégica. “Uma pesquisa divulgada entre a coleta e o momento da votação pode, curiosamente, mudar a decisão do eleitor”, afirma, observando que isso contribuiu para migrações de apoio entre candidatos considerados mais competitivos no primeiro turno, como foi o caso de Flávio Bolsonaro em relação a outras opções.
Divulgação de pesquisas no dia da eleição
Sim, é permitido. A Resolução TSE nº 23.600/2019 permite a publicação, incluindo no domingo, de pesquisas realizadas antes da eleição, desde que respeitado o registro prévio e as informações obrigatórias. As pesquisas de boca de urna, entretanto, só podem ser divulgadas a partir das 17h, no horário de Brasília, se realizadas no dia da votação.
Candidatos, partidos, coligações e federações, assim como o Ministério Público, têm a possibilidade de contestar pesquisas na Justiça Eleitoral por qualquer descumprimento das regras estabelecidas. Para os eleitores, a consulta ao PesqEle possibilita conferir o registro e confrontar as informações obtidas com os dados que circulam nas redes sociais.

