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Canella era patrono político e articulador de organização criminosa em investigações

Canella era patrono político e articulador de organização criminosa em investigações

Na manhã desta quinta-feira (15), o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) foi preso, sendo identificado pela Polícia Federal como o patrono político e articulador de uma organização criminosa envolvida na lavagem de dinheiro através de uma rede de postos de combustíveis na região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A prisão foi realizada durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema que movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Além de Canella, foram detidos o delegado Marcus Amim, os policiais civis Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como “Pablo Russo”, Giovanni Gaspar Fernandes e José Carlos Alves de Souza Júnior, além do secretário municipal de Ordem Pública de Belford Roxo, Christiano Gaspar Fernandes.

O papel de Canella na organização criminosa

De acordo com a Polícia Federal, Márcio Canella atuava como elo entre o núcleo econômico da organização criminosa e integrantes da administração pública. As investigações revelam que ele é um beneficiário recorrente de valores oriundos das atividades ilícitas do grupo criminoso.

Além disso, Canella teria utilizado sua influência para ocupar cargos estratégicos na administração pública com indivíduos que atendem aos interesses do grupo, garantindo assim proteção institucional a suas atividades ilegais. Segundo a PF, ele capitaneou a indicação de Marcus Vinicius Amim Fernandes para presidências de cargos no Detran e na Secretaria de Polícia Civil, sugerindo até mesmo mudanças na legislação na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) para facilitar esta nomeação.

Márcio Canella já exerceu as funções de deputado estadual e prefeito de Belford Roxo, tendo sido eleito recentemente como o segundo candidato mais votado do Rio de Janeiro nas últimas eleições.

Movimentações financeiras suspeitas

Anotações obtidas pelos investigadores evidenciam uma distribuição sistemática de valores atrelada ao nome “Canela”, associada a postos de combustíveis como Jardim Uba e Auto Posto LP Francis. A quebra de sigilo bancário mostrou que de maio de 2025 a abril de 2026, Canella movimentou cerca de R$ 2,5 milhões em créditos, com R$ 1,4 milhões de origem não esclarecida provenientes da empresa Brumar Empreendimentos e Participações Ltda., sendo esses recursos repassados a familiares e aliados.

Segundo as investigações, anotações manuscritas indicam repasses em espécie superiores a R$ 139 mil, realizados sem qualquer justificativa contratual. Os delegados envolvidos indicam que existem indícios sólidos de que Canella cometeu crimes de organização criminosa e lavagem de capitais.

Os investigadores detalham que Canella é beneficiário de recursos de origem não definida, progredindo por uma estrutura societária formal cuja origem primária as instituições financeiras não conseguem rastrear. Documentos apreendidos mostram um considerável acervo de bens de luxo, incluindo relógios de alto valor, veículos de luxo novos e seminovos, e motocicletas de marcas renomadas, o que corrobora com a hipótese de lavagem de dinheiro apresentada na investigação.

Histórico de Canella com a Justiça

Esta não é a primeira vez que Canella enfrenta problemas com a Justiça. Ele foi preso em flagrante em julho na sexta fase da operação, por posse ilegal de arma após um fuzil ter sido encontrado em seu veículo. Canella alegou que a arma pertencia a um policial militar que o protegia.

Pouco tempo após sua prisão, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, determinou sua liberação, permitindo que Canella respondesse ao processo em liberdade sob medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a suspensão do porte de armas, além da entrega de seu passaporte.

Em um movimento inesperado, próximo ao seu primeiro evento de campanha após a prisão, Canella anunciou que não concorreria mais ao Senado pelo Rio de Janeiro. Ele se torna assim o segundo aliado do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a desistir de uma vaga no Senado, após enfrentar uma operação da Polícia Federal, o que levantou diversas suspeitas sobre sua continuidade na política.

A CNN Brasil busca contato com a defesa dos mencionados. O espaço segue aberto para declarações.

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