A Polícia Federal apreendeu, até a manhã deste sábado (3), R$ 27 milhões em espécie no âmbito de operações de combate à compra de votos às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026. O montante já supera o total registrado nas eleições de 2022 e a tendência é de crescimento.
“Esse total diz respeito a todo o período eleitoral, mas as ocorrências estão em andamento. Há um painel da Polícia Federal que é atualizado em tempo real”, explicou o analista de segurança pública Elijonas Maia durante o CNN Agora deste sábado (3).
Segundo Elijonas, os estados com maior incidência de suspeitas de crimes eleitorais, com inquéritos abertos e operações em andamento, são Ceará, Rio de Janeiro e Maranhão.
Já no recorte específico de apreensão de dinheiro em espécie, os estados de Tocantins, Roraima, Pará, Amazonas e Amapá concentram os principais casos registrados.
Até o momento, foram abertos 1.300 inquéritos e 52 pessoas foram conduzidas à Polícia Federal para prestar esclarecimentos.
Como funcionam as investigações
Segundo a Polícia Federal, o fluxo investigativo geralmente se inicia quando o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identifica uma movimentação financeira atípica e aciona a PF.
“A PF fica de prontidão, faz o monitoramento da pessoa que é alvo de uma suspeita, vê que há um saque milionário em agência bancária e vai ao encontro dessa pessoa para saber a origem desse dinheiro“, detalhou Elijonas.
Caso não haja justificativa para o montante, o dinheiro é apreendido.
Um dos casos mais recentes ocorreu em Aracaju (SE), em que R$ 500 mil foram apreendidos após uma pessoa realizar um saque com suspeita de favorecimento de campanha eleitoral de um candidato a cargo eletivo. A pessoa não soube informar a destinação do dinheiro e foi conduzida à Polícia Federal.
Apreensão de valores nas eleições
O total atual de R$ 27 milhões já se aproxima do valor apreendido durante toda a operação das eleições municipais de 2024, quando foram confiscados R$ 29 milhões em espécie, eleições que contemplavam apenas cargos de prefeito e vereador.
Nas eleições gerais de 2022, que incluíam governadores e presidente, o total apreendido foi de apenas R$ 4,6 milhões. Com as operações ainda em curso, o valor de 2026 deve continuar crescendo nos próximos dias.
Os desafios do combate à corrupção eleitoral
O aumento significativo na apreensão de valores levanta questões sobre o combate efetivo à corrupção nas eleições. A atuação da Polícia Federal e do COAF em identificar movimentações financeiras suspeitas é crucial para desarticular esquemas de compra de votos.
Entretanto, a eficácia das operações depende de um conjunto de fatores, como a capacidade de fiscalização e a colaboração entre diferentes órgãos de segurança pública. O desafio se torna ainda maior considerando as estratégias usadas por candidatos que buscam driblar a legislação electoral.
As consequências de tais ações podem impactar diretamente não apenas a integridade do processo eleitoral, mas também a confiança da população nas instituições e na democracia.

