A Justiça de São Paulo determinou que dois integrantes do CV (Comando Vermelho) sejam levados a júri popular pela morte de Gabriel da Silva Gonçalves, apontado como membro da facção rival PCC (Primeiro Comando da Capital), em agosto de 2025. A decisão foi publicada neste domingo (27).
Ryan Igor Candido e Eduardo Henrique Martins de Oliveira foram denunciados pelas práticas de homicídio qualificado consumado, adulteração de sinal identificador de veículo e fraude processual. Segundo o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), foram comprovadas a materialidade do crime e a existência de indícios suficientes de autoria.
Conforme a denúncia do Ministério Público, à qual a CNN Brasil teve acesso, a dupla teria saído do Rio de Janeiro, onde contava com respaldo do CV, e seguido para São Paulo para matar Gabriel. A vítima foi atingida por pelo menos nove disparos e encontrada morta no corredor de um imóvel.
Crime em Rio Claro
No dia 29 de agosto de 2025, por volta das 12h11, Gabriel da Silva Gonçalves foi morto a tiros no bairro Jardim Novo, em Rio Claro, no interior de São Paulo. A vítima estava com a esposa e a filha, de um ano e três meses, em um trailer de lanches quando um Ford EcoSport branco se aproximou. De acordo com o Ministério Público, Ryan desembarcou armado, fez perguntas sobre uma possível rivalidade entre facções e ameaçou a esposa e a filha de Gabriel.
Após entregar a criança à mãe, a vítima teria tentado fugir e se abrigar no corredor de um imóvel próximo. Ele foi perseguido e atingido por múltiplos disparos de calibre 9 mm, de uso restrito, e morreu no local. Segundo a investigação, os suspeitos fugiram no veículo –– que usava uma placa clonada em vez da original, que havia sido furtada em Santo André. O carro foi posteriormente incendiado no bairro Jardim Guanabara.
Motivação do Homicídio
O homicídio de Gabriel teria sido motivado pela rivalidade entre o CV e o PCC e a disputa pelo controle do tráfico de drogas em Rio Claro e região. Ryan Igor Cândido e Eduardo Henrique Martins de Oliveira teriam atuado, de acordo com a denúncia, em nome do CV em uma tentativa de ampliar o domínio da facção e tomar territórios controlados pelo grupo paulista. A morte de Gabriel faria, portanto, parte de um plano para eliminar integrantes do PCC na região e estabelecer o controle do tráfico local.
De acordo com a investigação, a vítima exercia atividade ligada à mercancia de entorpecentes em área sob influência do PCC, circunstância que a tornou alvo de retaliação pelo CV.
Provas e Indícios de Autoria
Segundo o Ministério Público, Eduardo Henrique Martins de Oliveira, conhecido como “Dudu”, teve as impressões digitais identificadas por perícia papiloscópica nas portas do veículo utilizado no crime. Dudu foi preso em flagrante posteriormente com uma metralhadora artesanal que, segundo a investigação, apresentava características semelhantes às de armas exibidas por Ryan em vídeos.
Conforme o documento, a quebra do sigilo de dados telemáticos e a análise de Estações Rádio Base (ERBs) ainda indicaram o deslocamento de Ryan do Rio de Janeiro para Rio Claro na data e no horário do crime. Ryan foi reconhecido por testemunhas e registros em redes sociais mostram armas e menções relacionadas ao homicídio.
A decisão de levar os dois ao júri popular não representa condenação. A pronúncia apenas reconhece a existência de materialidade e indícios suficientes de autoria para que o caso seja julgado pelo Tribunal do Júri.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos réus. O espaço segue aberto.

