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MP aponta Beto Louco e Primo como líderes de esquema bilionário.

MP aponta Beto Louco e Primo como líderes de esquema bilionário.

O envolvimento de empresários em fraudes no setor de combustíveis é uma questão alarmante que vem ganhando notoriedade. Recentemente, o MPSP (Ministério Público de São Paulo) destacou Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo” como figuras centrais nessa investigação. Esses indivíduos lideram uma suposta organização criminosa focada na fraude e lavagem de dinheiro, sendo considerados foragidos desde 2025.

A apuração é parte da Operação Crédito Oculto, uma extensão da Operação Carbono Oculto, e está sendo conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) com apoio da Receita Federal. Desde o início dessa investigação, medidas como busca e apreensão em diversos estados do Brasil foram implementadas para interromper as atividades ilegais.

Investigações em Andamento

Os desdobramentos da operação foram significativos. A Justiça de São Paulo autorizou o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens dos investigados, incluindo imóveis e ativos financeiros da empresa Terrana, supostamente vinculada ao esquema. A intenção é preservar recursos e buscar eventual ressarcimento aos cofres públicos.

A investigação sugere que a rede criminosa utilizava diversas empresas e instrumentos financeiros para esconder seus verdadeiros beneficiários. O foco é a acquisition da Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana, que teria sido uma peça chave na operação, abastecendo uma rede de postos de gasolina ligada aos empreendimentos dos acusados.

Esquema Financeiro Complexo

A investigação revela que a operação consistia em um intrincado sistema financeiro envolvendo empresas, fundos de investimento e bancos. Um exemplo é a Usina Itajobi, que aparece como cotista do Radford Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado. Outras empresas, como Berna Holdings e Branson Holdings, foram identificadas com capital social mínimo, localizadas em endereços suspeitos.

As movimentações financeiras incluem a emissão de CCBs (Cédulas de Crédito Bancário), com valores elevados que sugerem a intenção de movimentar grandes quantias através de mecanismos legais, mas com a finalidade de esconder a origem dos recursos. O Banco Genial é um dos bancos que está sob investigação por facilitar certas transações com cifras sustancialmente altas, envolvendo milhões de reais.

Além disso, o MPSP informou que executivos do setor financeiro também estão sob suspeita, como Humberto Arthur Tupinambá Neto, que atuava no Banco Genial, e Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, cujas empresas estão sendo analisadas quanto ao seu papel na movimentação de recursos.

Reações e Tentativas de Desvinculação

Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, foram descobertos planos para desvincular formalmente as empresas envolvidas do grupo criminoso. Mensagens de grupos de WhatsApp revelaram discussões sobre a necessidade de cortar laços entre a Terrana e seus proprietários para evitar a detecção e responsabilização legal.

Um dos contadores envolvidos, Gunar Marcondes da Silva, foi identificado como uma figura central nesse planejamento, com o objetivo de apagar as ligações entre as empresas e seus reais donos. A retirada de marcas da Terrana de postos e a apresentação da empresa sob uma nova perspectiva foram solicitadas, criando a ilusão de uma reestruturação.

Além disso, tentativas de negociação de acordos de delação premiada foram feitas por Beto Louco e Primo, mas foram rejeitadas pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo. Isso se deu devido à percepção de que as informações fornecidas não apresentavam total transparência, especialmente sobre conexões com o PCC e outros esquemas de lavagem de dinheiro.

As complexidades evidenciadas por essa operação refletem a profundidade das fraudes e a necessidade de uma ação rigorosa por parte das autoridades. O MPSP continua a investigar, buscando desmantelar completamente essa rede de corrupção que impacta o setor de combustíveis no Brasil.

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