Mata Atlântica em Regeneração: Um em cada quatro hectares da vegetação nativa existente hoje na Mata Atlântica corresponde a áreas de vegetação secundária, ou seja, florestas que voltaram a crescer após terem sido desmatadas. Os dados divulgados nesta segunda-feira (21), data que marca o Dia da Árvore, fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas.
O estudo mapeou as transformações na cobertura e no uso da terra no país entre 1985 e 2025. O levantamento aponta que, nas últimas quatro décadas, o bioma perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura.
Por outro lado, mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária se estabeleceram no mesmo período em locais anteriormente desmatados.
Ameaça à vegetação nativa
Apesar do ganho de área com a mata nova, a vegetação regenerada continua sob forte pressão. Entre 2021 e 2025, a Mata Atlântica perdeu 1,2 milhão de hectares de vegetação nativa, sendo 700 mil hectares (60%) de vegetação secundária e 500 mil hectares de vegetação madura.
“A regeneração tem um papel fundamental na recuperação da Mata Atlântica, seja por meio da restauração ou da recuperação natural de áreas degradadas. Ao mesmo tempo, é essencial evitar novas perdas de vegetação nativa, tanto de vegetação madura quanto secundária, especialmente em um bioma tão fragmentado e historicamente pressionado pela ocupação humana”, comenta Natalia Crusco, coordenadora técnica da Mata Atlântica do MapBiomas.
Apesar das perdas recentes, a supressão de vegetação nativa no bioma mantém tendência de queda na série histórica, com a área suprimida permanecendo abaixo de 2 milhões de hectares a cada período de cinco anos desde a década de 2000.
Cenário da Mata Atlântica
Segundo o estudo, a Mata Atlântica é o bioma brasileiro com a menor proporção de vegetação nativa. Em 2025, essa cobertura ocupava 32% do território, enquanto a agropecuária respondia por 63%. Considerando a cobertura de vegetação nativa como um todo, o bioma perdeu 5 milhões de hectares desde 1985, o que representa uma redução de 12%.
Rio de Janeiro e São Paulo foram os únicos estados que não apresentaram perda de vegetação nativa nos últimos 41 anos. O levantamento aponta ainda que a agricultura foi a atividade que mais expandiu sua presença. A atividade passou de 9,7 milhões para 20,5 milhões de hectares. A maior parte da expansão ocorreu sobre áreas de pastagens.
As áreas urbanizadas também cresceram 2,5 vezes no período, somando 1,3 milhão de hectares adicionais. Em 2025, o bioma concentrava 52% de toda a área urbanizada do Brasil.
Importância da Vegetação Secundária
A restauração e regeneração das florestas têm um impacto crucial para a conservação da Mata Atlântica. As áreas de vegetação secundária, que costumam ser vistas como menos importantes, desempenham um papel vital na sustentabilidade ecológica, pois ajudam a restaurar habitats, melhorar a qualidade do solo e aumentar a biodiversidade local. O estudo revela que, embora a perda de áreas nativas continue sendo uma preocupação significativa, a recuperação de espaços já desmatados é um caminho promissor.
Antes de considerarmos qualquer intervenção, é fundamental preservar os remanescentes de vegetação madura. Esses ambientes são essenciais para a manutenção de espécies raras e ameaçadas, bem como para o equilíbrio dos ecossistemas locais. Com o crescimento da urbanização e da agricultura, proteger as áreas de vegetação secundária se torna ainda mais necessário.

