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De chá de luxo a TV de 65 polegadas: as regalias de Cabral

De chá de luxo a TV de 65 polegadas: as regalias de Cabral

A Justiça do Rio de Janeiro condenou o ex-governador Sérgio Cabral a pagar R$ 1 milhão em danos morais coletivos por improbidade administrativa em um esquema de regalias nas prisões de José Frederico Marques, em Benfica, e na Penitenciária de Bangu VIII. Condenado a mais de 390 anos no âmbito da Operação Lava Jato, ele ficou preso preventivamente entre 2016 e 2023.

Segundo a decisão da 4ª Câmara de Direito Público, o esquema forneceu home theater, televisão de 65 polegadas, alimentos, chá de luxo da marca TWG — que, atualmente, custa US$ 25 (cerca de R$ 128) na loja oficial — e aparelhos de musculação na prisão.

Além desses, veja outras regalias que a Justiça menciona no processo:

Uma das maiores regalias foi a chamada “videoteca do Cabral”, onde ficava uma televisão de 65 polegadas e aparelho de home theater. As investigações mostraram ainda que havia falta de monitoramento de Cabral no circuito interno de segurança e ingresso de visitas não registradas.

“Constatou-se que intencionalmente foi montada toda uma estrutura, com participação da cúpula da SEAP, de modo a beneficiar o ex-governador, tornando o sistema prisional um ambiente de privilégios, em nítida violação às normas administrativas vinculadas ao sistema carcerário do Estado”, diz trecho da decisão do desembargador Caetano Ernesto da Fonseca Costa.

Outros seis réus também foram condenados no processo. Todos eles eram agentes públicos que ocupavam cargos de gestão na Seap (Secretaria de Administração Penitenciária). Ao contrário de Cabral, no entanto, eles foram condenados a pagar, cada um, R$ 100 mil por danos morais coletivos.

Em nota à CNN Brasil, a defesa de Sérgio Cabral chamou as acusações de infundadas: “O ex-governador Sergio Cabral foi absolvido das infundadas acusações na esfera criminal, na qual ficou comprovada a ausência de ilegalidades. A condenação na esfera cível se demonstra desarrazoada, sendo objeto de recurso já interposto pela defesa.”

A reportagem também entrou em contato com a Seap para um posicionamento. O espaço segue aberto.

Opinião Pública Sobre as Regalias de Sérgio Cabral

As revelações sobre o tratamento privilegiado de Sérgio Cabral geraram indignação na opinião pública. Muitos cidadãos manifestaram sua insatisfação com as condições do sistema prisional do Brasil, que frequentemente expõe a superlotação e a falta de recursos. A comparação entre a realidade de Cabral e a de presos comuns acentuou um debate sobre desigualdade e corrupção dentro das instituições.

Além disso, a situação de Cabral levanta questões sobre a transparência nas operações penitenciárias e o controle da conduta de agentes públicos que podem permitir abusos no sistema. Muitos analistas afirmam que a condenação do ex-governador serve como um alerta para outras figuras políticas que possam se sentir acima da lei.

A trajetória de Sérgio Cabral

Sérgio Cabral foi governador do Rio de Janeiro por dois mandatos, entre janeiro de 2007 e março de 2014. Antes, ele ocupou cargos de senador e deputado estadual. O ex-governador foi preso em 2016, quando foi acusado de receber propina para beneficiar empresários em obras como a reforma do Maracanã e o PAC das Favelas. Ele respondeu a mais de 20 processos e já foi condenado a quase 400 anos de prisão.

Em novembro de 2023, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro revogou dois mandados de prisão preventiva contra Sérgio Cabral em ações sobre um suposto pagamento de propina. À época, a defesa do ex-governador declarou que a decisão unânime mostrava “o compromisso do colegiado com a Constituição e o devido processo legal, além de ser eloquente em demonstrar a absoluta ausência de contemporaneidade e motivos para manter preso o ex-governador.”

Em 2022, a Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) concedeu liberdade a Sérgio Cabral. Com um placar de 3 votos a 2 no plenário virtual, o pedido dependia apenas do voto do ministro Gilmar Mendes.

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