O vandalismo ocorrido no túmulo do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, destaca questões fundamentais sobre a memória histórica e a preservação de espaços de importância cultural. A frase “Ditadura nunca mais” foi encontrada pichada, chamando a atenção para a relevância de discutir a memória da ditadura militar brasileira.
Reações ao ato de vandalismo
A pichação foi notada pela idealizadora do projeto Necrotour RJ, Samantha Lobo, que realizava uma visita técnica ao local. De acordo com Lobo, o ato de vandalismo ocorreu de forma isolada e acredita-se que foi praticado na véspera de sua descoberta, em um sábado. A pesquisadora enfatizou que a segurança do cemitério é adequada, pois o túmulo de Médici, que apresenta uma boa conservação, está sob vigilância constante dos funcionários da RioPax, concessionária que administra o espaço.
A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro foram contatadas pela reportagem, e enquanto a PMERJ informou que não realiza patrulhamento interno nos cemitérios, a PCERJ declarou que não há registros de ocorrência sobre o incidente até o presente momento. Essa situação levanta questões sobre a valorização da memória e do respeito aos locais que guardam a história.
Legislação sobre a violação de sepulturas
Conforme o Artigo 210 do Código Penal Brasileiro, a violação ou profanação de sepulturas é considerada um crime, o que inclui danos a monumentos funerários. Quem comete esse ato pode ser punido com reclusão de um a três anos, além de multa, refletindo a importância legal da preservação da dignidade dos mortos.
Essa legislação ressalta a responsabilidade e o significado cultural dos cemitérios. Além de serem espaços de descanso eterno, são locais que preservam a memória de personalidades e eventos que fazem parte da história nacional. O vandalismo não apenas desrespeita a memória do ex-presidente Médici, mas também atinge um espaço que pertence à sociedade.
Emílio Garrastazu Médici e seu legado
Emílio Garrastazu Médici, nascido em Bagé, Rio Grande do Sul, em 4 de dezembro de 1905, se destacou como uma figura relevante no cenário político e militar do Brasil. Ele ascendeu ao cargo de presidente da República entre 1969 e 1974, marcando sua gestão pela implementação de medidas que resultaram no chamado “milagre econômico brasileiro”, período de crescimento acelerado do PIB.
Entretanto, seu governo também ficou marcado pela repressão a opositores, censura da imprensa e manutenção da ordem através do Ato Institucional nº 5 (AI-5), um dos momentos mais críticos da ditadura militar. Médici faleceu em 9 de outubro de 1985, deixando um legado controverso que ainda é discutido e analisado pela sociedade brasileira.
Necrotour RJ e a busca pela preservação cultural
O projeto Necrotour RJ, liderado por Samantha Lobo, se dedica a promover visitas guiadas a cemitérios cariocas, ressaltando a importância da memória e da história. Essas visitas atraem tanto historiadores quanto curiosos e visam trazer à tona a relevância cultural e histórica desses espaços, mostrando que cemitérios são muito mais do que locais de sepultamento; eles são verdadeiros museus a céu aberto que guardam a identidade cultural do Brasil.
Samantha Lobo, além de pedagoga e professora, é guiatour e integrante da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (ABEC), e trabalha incansavelmente para transformar a percepção sobre esses locais, buscando preservar a memória e discutir figuras históricas, como Médici, e os eventos que moldaram a sociedade brasileira atual.
Incidentes como o vandalismo no túmulo de Médici acendem debates sobre memória, cultura e história, reafirmando a necessidade de um olhar atento e reflexivo sobre o passado.<\/p>




