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Ventos extremos: diferenças entre tornado, ciclone, furacão e tufão

Ventos extremos: diferenças entre tornado, ciclone, furacão e tufão

Árvores caídas, destelhamentos, embarcações atingidas, interrupções no fornecimento de energia e serviços paralisados. Os ventos intensos que afetaram várias regiões do Sul e do Sudeste do Brasil nesta semana voltaram a destacar um fenômeno recorrente e a confusão entre os termos usados para descrever eventos meteorológicos extremos.

Após a confirmação de um tornado no Rio Grande do Sul e da atuação de uma frente fria que gerou rajadas intensas de vento em São Paulo e Rio de Janeiro, termos como t tornado, ciclone, furacão e tufão começaram a circular nas redes sociais e nos relatos de moradores.

No entanto, embora todos estejam relacionados a ventos fortes, eles não são sinônimos. Cada um desses fenômenos tem uma forma específica de formação, um ambiente de ocorrência distinto e dimensões e tempos de duração variados.

Ciclone: O termo genérico

O termo ciclone designa um sistema de baixa pressão atmosférica, onde os ventos convergem para um centro de circulação. No Hemisfério Sul, esse movimento é no sentido horário; no Hemisfério Norte, no sentido anti-horário, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A partir dessa definição ampla, os ciclones recebem nomes diferentes conforme o modo de desenvolvimento. Os ciclones tropicais formam-se sobre águas oceânicas quentes, enquanto os ciclones extratropicais surgem em áreas com contrastes entre massas de ar quente e fria — como os sistemas que frequentemente afetam o Sul e o Sudeste do Brasil.

Furacão e tufão: Diferenças de região

Apesar da tendência de confundir os termos, furacão e tufão são, na verdade, o mesmo tipo de sistema: um ciclone tropical. A distinção está apenas na região ocorrendo.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o termo furacão é utilizado para sistemas no Atlântico Norte, Pacífico Central Norte e Pacífico Nordeste. Por outro lado, tufão refere-se ao mesmo fenômeno no Pacífico Noroeste, próximo ao Japão, China e Filipinas. Nos oceanos Índico e Pacífico Sul, é simplesmente chamado de ciclone tropical.

Esses fenômenos geralmente se desenvolvem em águas com temperatura acima de 26,5°C e podem atingir centenas de quilômetros de diâmetro, permanecendo ativos por vários dias. Conforme a NOAA, quando os ventos sustentados atingem cerca de 119 km/h, esse sistema é classificado como furacão ou tufão.

Tornado: Especificidades e previsibilidade

O tornado é um fenômeno distinto. É uma coluna de ar rotativa que se estende da borda de uma nuvem de tempestade até o solo, normalmente originada em uma supercélula — um tipo de tempestade caracterizada por uma corrente ascendente em rotação.

Diferente dos ciclones, que podem ser monitorados por dias, os tornados surgem rapidamente e têm duração curta, o que reduz o tempo disponível para alertas. Além disso, costumam ser consideravelmente menores. Um furacão pode ocupar centenas de quilômetros, enquanto um tornado geralmente tem uma largura de metros a até cerca de dois quilômetros.

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    Tornado no Rio Grande do Sul • Reprodução

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    Tornado no Rio Grande do Sul • Reprodução



O evento que afetou o Sudeste

As rajadas registradas em São Paulo e no Rio de Janeiro durante esta semana não foram geradas por um tornado ou furacão.

De acordo com meteorologistas, os ventos foram intensificados pela chegada de uma frente fria pelo oceano. Este tipo de sistema costuma elevar a velocidade dos ventos em diversas áreas do Sul e do Sudeste, além de propiciar a formação de chuvas e mudanças súbitas no clima.

Frentes frias e ciclones extratropicais são sistemas de grande escala, estendendo-se por centenas de quilômetros e capazes de causar rajadas devastadoras. Contudo, são muito mais amplos e menos concentrados que um tornado.

Rajadas, vendavais e cisalhamento: entendendo os fenômenos

Não necessariamente todo vento intenso está atrelado a um ciclone ou tornado.

A rajada de vento é uma variação repentina da velocidade do vento em um curto espaço de tempo. O vendaval, por sua vez, é utilizado para descrever ventos fortes que causam danos, como quedas de árvores e destelhamentos, sem a presença de um movimento rotacional.

Outro conceito relevante é o cisalhamento do vento, caracterizado pela mudança abrupta da velocidade ou direção dos ventos em diferentes camadas da atmosfera. Esta condição pode favorecer a formação de tempestades severas e, em determinadas circunstâncias, tornados.

Classificação dos fenômenos meteorológicos

Cada evento meteorológico emprega um sistema específico de classificação.

Os tornados são avaliados através da Escala Fujita Aprimorada (EF), que varia de EF0 a EF5, determinando a intensidade com base nos danos causados. Por outro lado, furacões e tufões seguem a Escala Saffir-Simpson, que possui cinco categorias de acordo com a velocidade dos ventos sustentados e o potencial de destruição. Para ventos em geral, a Escala Beaufort é utilizada, correlacionando a velocidade do vento aos impactos observados em terra e mar.

Aumento dos tornados no Sul

Conforme apontado pelo analista de Clima e Meio Ambiente da CNN Brasil, Pedro Côrtes, episódios de tornados no Sul do Brasil têm se tornado mais frequentes nos últimos anos, influenciados por condições atmosféricas ligadas às mudanças climáticas e à influência do El Niño.

O especialista ressalta que a combinação entre umidade e cisalhamento do vento gera um ambiente propício para o desenvolvimento de supercélulas, responsáveis pela formação dos tornados.

Saiba as diferenças entre ciclone, tufão, furacão e tornado

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