O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro inicia, nesta quinta-feira (16), o júri dos irmãos Pedro Emanuel D’onofre Andrade e Otto Samuel D’onofre Andrade, acusados pelo homicídio do bicheiro Fernando Iggnácio.
Iggnácio foi executado no estacionamento de um heliponto no Recreio dos Bandeirantes, na zona Sudoeste do Rio em 2020. Os irmãos Andrade respondem por homicídio triplamente qualificado, com as qualificadoras sendo motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de emboscada, além de meios que impossibilitaram a defesa da vítima.
Genro do contraventor Castor de Andrade, o homem foi assassinado a mando de Rogério de Andrade, sobrinho de Castor, segundo informações policiais.
Primeiro condenado no caso
O ex-policial militar Rodrigo da Silva das Neves foi condenado a 32 anos de prisão pelo assassinato de Fernando Iggnácio. A sentença foi proferida no início de abril deste ano, sendo o primeiro resultado do julgamento da morte do contraventor.
O juiz Thiago Portes Vieira de Souza, presidente do Conselho de Sentença do I Tribunal do Júri da Capital, destacou o papel de destaque de Rodrigo na execução do crime. “Rodrigo tinha papel de destaque dentro do plano,… restou provado que o veículo VW Fox, cor branca, clonado, era de responsabilidade do acusado… Além disso, no interior do apartamento do acusado, estavam guardados quatro fuzis (7,62mm e 5,56mm), carregadores e uma vasta quantidade de munições usadas no crime”, explicou o magistrado.
O juiz também ressaltou que o réu era policial militar da ativa no momento do crime, reforçando seu envolvimento com personagens da máfia da contravenção do jogo de bicho.
Detalhes da morte de Fernando Iggnácio
O contraventor Fernando Iggnácio foi morto a tiros de fuzil no dia 10 de novembro de 2020, imediatamente após desembarcar de um helicóptero em um heliponto no Recreio dos Bandeirantes. Ao chegar na aeronave, que vinha de Angra dos Reis, por volta das 13h15, Iggnácio foi alvejado assim que caminhava em direção a um carro.
Rogério de Andrade foi apontado como o principal suspeito de ser o mandante do crime, segundo apurações da polícia.
Conflito na contravenção do Rio
Desde o final dos anos 1990, Fernando Iggnácio, ex-genro de Castor, e Rogério Andrade, sobrinho do contraventor, travam uma luta pelo domínio do legado deixado por Castor de Andrade, figura importante na contravenção do Rio de Janeiro nos anos 70.
A disputa entre os dois herdeiros resultou em uma guerra sanguinária, culminando no controle do império de caça-níqueis herdado. Após a morte de Castor em 1997, ele escolheu Rogério como seu sucessor, o que não foi aceito por seu filho Paulinho, gerando tensões familiares. Paulinho e uma segurança foram assassinados em 1998, e, a partir de então, Fernando assumiu a disputa com Rogério.
A rivalidade se acirrou, levando a diferentes estratégias e alianças dentro do submundo da contravenção, o que culminou na morte de Iggnácio, evidenciando a intensidade da luta pelo poder e as ramificações da violência associada a essas figuras do crime organizado.

