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Rope jump sem corda: detidos pela morte de jovem em SP

Rope jump sem corda: detidos pela morte de jovem em SP

Três novas pessoas foram presas no último sábado (20) pela morte de Maria Eduarda Rodrigues, jovem que foi arremessada durante uma atividade de rope jump sem o uso de corda de segurança. Outros três suspeitos já haviam sido localizados um dia após o ocorrido, em 13 de junho, na cidade de Limeira, no interior de São Paulo.

Os primeiros presos foram identificados como os instrutores que aparecem no vídeo em que Maria é lançada. São eles: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra, Vitor de Freitas Gonçalves. Todos tiveram a prisão convertida em preventiva, e dois deles tiveram pedido de habeas corpus negado. 

Já os novos detidos pela polícia não tiveram a identidade divulgada pelas autoridades. No entanto, sabe-se que se trata de uma mulher, de 29 anos, presa no Rio de Janeiro, e de dois homens, de 25 e 27 anos, localizados em Limeira (SP) e Indaiatuba (SP), respectivamente.

As investigações apontam que os três novos presos integravam a equipe responsável pela organização e execução da atividade.

A defesa de um dos presos no sábado (20), representado pelo advogado Vitor Aurélio, informou que o homem “não participou ativamente do arremesso” e “prestou socorro à vítima”. Leia nota abaixo:

“A defesa entende que a prisão é ilegal. Há um rol taxativo para que seja determinada a prisão temporária, ou seja, esta só poderá ocorrer nos casos em que a lei determinar, tal como crime doloso contra a vida. No caso, ele não praticou nenhum homicídio, tendo em vista que ele ficava embaixo da ponte e sua função iniciava apenas após o salto, sendo responsável por retirar o equipamento da pessoa.

Portanto, não participou ativamente do arremesso, inexistindo qualquer ingerência. Inclusive, a defesa esclarece que ele confirmou a presença da câmera corporal do acidente e que esta seria de suma importância para esclarecer que ele efetivamente prestou socorro à vítima.”

Medidas além das prisões recentes

Além das prisões temporárias, a Justiça também autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão nos endereços dos novos presos, com a apreensão de aparelhos celulares, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.

Também foram identificados indícios de que conteúdos digitais potencialmente relevantes à elucidação do caso teriam sido excluídos após a ocorrência, circunstâncias que fundamentaram os pedidos cautelares apresentados pela Polícia Civil e acolhidos pelo Poder Judiciário.

A investigação apura, em tese, a prática de crimes dolosos contra a vida, na modalidade de dolo eventual, além de possível fraude processual.

“A Polícia Civil prossegue com as diligências para esclarecer integralmente a dinâmica dos fatos, identificar todas as responsabilidades criminais e localizar a câmera utilizada pela vítima no momento do salto, considerada elemento importante para a reconstrução do ocorrido”, completou a SSP.

Investigações e depoimento dos primeiros presos

Segundo as investigações, a jovem contratou a companhia para realizar a atividade esportiva, mas foi lançada pelos funcionários de uma altura de aproximadamente 40 metros sem estar presa aos equipamentos de segurança.

Em depoimento à polícia, os três primeiros presos não conseguiram explicar como ocorreu a falha. A Justiça de São Paulo classificou o caso como negligência e converteu as prisões deles em preventivas.

Relembre o caso

Maria Eduarda Rodrigues de Farias procurou a empresa para realizar um salto de rope jump, mas morreu após ser lançada da ponte. No momento do salto, ela não estava presa à corda de proteção.

Testemunhas gravaram o momento do acidente. Nas imagens, é possível ouvir pessoas gritando ao perceberem que ela não estava presa ao sistema de segurança.

Após o ocorrido, manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) foram realizadas por pessoas que estavam no local até a chegada de equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). No entanto, Maria Eduarda morreu ainda no local em decorrência de politraumatismo.

A jovem foi velada no dia seguinte ao acidente, no Cemitério Municipal de Jandira, na Grande São Paulo.

Fuga, desaparecimento de câmera e falta de autorização

Durante a perícia, a polícia constatou que Maria Eduarda não estava mais com a câmera utilizada para registrar a atividade. Na avaliação do juiz responsável pelo caso, o desaparecimento do equipamento pode indicar uma tentativa de ocultação de provas.

Além disso, segundo os autos, quando um dos policiais se afastou para prestar apoio ao resgate, os três funcionários da empresa fugiram em direção a uma área de vegetação próxima.

O magistrado também destacou que os suspeitos tentaram deixar o local após o acidente, comportamento que, segundo ele, demonstra risco de obstrução das investigações.

Outro fator considerado pela Justiça foi o fato de os investigados exercerem a atividade de forma habitual, o que poderia representar risco de novos casos se eles permanecessem em liberdade.

A SPU (Secretaria de Patrimônio da União), vinculada ao MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos), informou ainda que a empresa responsável pela atividade não possuía autorização para realizar operações esportivas na Ponte do Esqueleto.

Após a tragédia, o governo federal passou a estudar a possibilidade de demolir a estrutura. Em reunião com representantes do MGI, a prefeita de Cordeirópolis e o prefeito de Limeira afirmaram que os municípios já adotam medidas para restringir o acesso à ponte e manifestaram apoio à demolição da estrutura.

A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos envolvidos no caso. O espaço está aberto para manifestações.

*Sob supervisão de Jorge Fernando Rodrigues

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