A madrugada do último sábado (20) foi marcada por alertas sonoros emitidos pelo Sistema Defesa Civil Alerta com a palavra “misantropi4”, que traduzido significa ódio à humanidade. Durante as investigações que se seguiram, foram identificados 10 alertas disparados de modo indevido.
A principal suspeita é de que o Sistema Defesa Civil Alerta tenha sofrido um ataque hacker. Até o momento, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional não tem certeza se os alertas foram disparados pela mesma pessoa ou por um grupo de indivíduos, e a identidade e localidade dos autores ainda não foram divulgadas.
Conforme relatado pelo secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, nove alertas foram disparados pelo sistema Cell Broadcast e um via SMS. Essa ferramenta foi desenvolvida para exibir mensagens de texto em formato pop-up diretamente na tela do celular, visando o envio de alertas de emergência.
Wolnei Wolff explicou que parece ter ocorrido um cadastro indevido no sistema, permitindo que os alertas fossem originados a partir de Curitiba. Ele destacou que conseguiram bloquear um acesso, mas outra pessoa, possivelmente a mesma ou alguém diferente, poderia ter utilizado outro cadastro para disparar um novo alerta. Até agora, a informação é que foram realizados nove disparos via Cell Broadcast e um via SMS, sem confirmação sobre quantas pessoas ou celulares receberam o alerta sonoro na madrugada.
“Com certeza, milhões de pessoas foram alertadas na madrugada do dia de hoje ou no final da noite de ontem. Com certeza. Esses alertas via Cell Broadcast têm capacidade de atingir milhares de pessoas”, afirmou o secretário. A equipe de tecnologia e informação do ministério ainda está apurando as causas e origens das falhas no sistema.
Os estados afetados pelo incidente incluem São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Paraná e o Distrito Federal, mas o número total de estados ainda não foi divulgado. Como medida de resposta ao ataque, o governo federal suspendeu as contas dos usuários envolvidos no ataque e bloqueou todos os acessos externos à Interface de Divulgação de Alertas Públicos.
Até o momento, não há evidências de danos estruturais ao sistema utilizado pela Defesa Civil. Os alertas foram disparados entre 23h41 de sexta-feira (19) e 1h23 deste sábado (20). A Polícia Federal abriu uma investigação preliminar no último sábado (20) para apurar o suposto ataque hacker, procedimento que antecede a instauração formal de um inquérito policial.
Tipos de alertas emitidos
O incidente acionou o nível “Extremo” do sistema da Defesa Civil, que emite um alerta sonoro em casos de risco iminente. Segundo informações do governo federal, o comportamento dos disparos não seguiu o padrão operacional habitual do sistema.
Atualmente, o sistema está temporariamente suspenso. A equipe de tecnologia de informação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional trabalha para o restabelecimento escalonado da plataforma. O sistema utiliza dois tipos de alerta: severo e extremo. O alerta severo indica que são necessárias ações preventivas, como em situações de chuvas fortes com riscos de deslizamentos ou alagamentos, e o celular emite um som de “beep”, sem interromper o modo silencioso.
No modo severo, a tela do celular fica bloqueada até que o usuário decida fechá-la, e a configuração para recebê-lo deve ser ativada nas configurações do aparelho. Por outro lado, o alerta extremo é o nível mais alto, destinado a situações de risco grave para a vida e propriedade. Nesse caso, o celular emite um sinal sonoro que se mantém ativo mesmo com o dispositivo em modo silencioso, e a tela do celular será congelada, só podendo ser liberada pelo usuário ao fechar a notificação.
Próximos passos e segurança
Diante do ocorrido, as autoridades estão focadas na investigação para identificar as pessoas responsáveis pelo disparo indevido. A segurança do sistema de alertas é uma prioridade, especialmente considerando a importância de notificações precisas em situações de emergência. Redes de tecnologia estão sendo verificadas para impedir que novos ataques ocorram no futuro.
É essencial que os cidadãos se mantenham informados sobre a situação e que o sistema de Defesa Civil retome suas operações da maneira mais segura possível. O incidente serve como um lembrete da necessidade de proteção de dados e segurança cibernética em um mundo cada vez mais conectado.



