A investigação em torno do “Resort do Tráfico”, vinculado ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, está no centro das operações conduzidas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A recente operação, ocorrida nesta quinta-feira (18), envolveu o deputado estadual Val Ceasa (PRD) e o ex-vereador Ulisses Marins (União Brasil), e visa esclarecer possíveis ligações destes agentes políticos com a facção criminosa TCP (Terceiro Comando Puro).
Segundo o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, as ações de busca foram autorizadas pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e foram fruto de uma investigação minuciosa que combina esforços do Ministério Público com a Polícia Civil do Estado. O objetivo central é investigar o envolvimento dos dois políticos com a organização criminosa, focando em atividades como a suposta tentativa de impedir a demolição de imóveis associados a atividades criminosas.
Moreira destacou que o caso teve início após denúncias sobre a intervenção do parlamentar Val Ceasa, junto com o ex-vereador, visando evitar a destruição de imóveis, que incluem o “Resort do Peixão”. Este local, localizado no Complexo de Israel, na zona Norte do Rio de Janeiro, servia como espaço para festas e reuniões de membros da facção criminosa, e é marcado por ter sido construído de maneira irregular em uma área de preservação ambiental.
Apreensões significativas durante a operação
Na operação do dia 18 de agosto, as autoridades conseguiram apreender uma quantidade considerável de itens ilícitos. O procurador-geral informou que foram encontradas armas de fogo, uma soma substancial em dinheiro e dispositivos eletrônicos. Entre as apreensões, destacam-se cerca de R$ 341 mil em espécie, cinco armas, munições, 11 celulares, computadores e outros dispositivos de armazenamento.
“As buscas resultaram na apreensão de um grande arsenal e uma quantia expressiva de dinheiro. Isso demonstra claramente a conexão entre esses indivíduos e atividades criminosas”, afirmou o procurador. Uma nova fase da investigação está planejada, onde as autoridades analisarão o conteúdo dos equipamentos eletrônicos apreendidos para entender melhor a relação dos envolvidos com a facção criminosa.
Críticas ao avanço da criminalidade na política
Em comentários a respeito do avanço da investigação, o procurador-geral expressou sua preocupação com a crescente relação entre organizações criminosas e agentes políticos. “Esses fatos preocupam muito o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, pois refletem uma degradação do ambiente político, que deve ser íntegro e livre de qualquer influência criminosa”, disse.
Moreira mencionou também que a presença de figuras ligadas ao crime organizado no parlamento não pode ser aceita, ressaltando a necessidade de instituições fortes para a manutenção da democracia. Sua fala vem na sequência de investigações similares que já resultaram em processos contra outros políticos alegadamente envolvidos com facções criminosas.
A defesa de Val Ceasa
Após as acusações, Val Ceasa se posicionou, negando qualquer relação com o “Resort do Peixão”. Em entrevista à CNN Brasil, ele afirmou que seu trabalho na área tinha a intenção de defender a criação de uma vila olímpica para os moradores locais após a demolição do imóvel. Ceasa argumentou que sua atuação sempre foi em prol da comunidade e classificou a investigação como uma perseguição política.
“Quando se trabalha com a comunidade, acaba-se sofrendo perseguições de adversários. Estou certo de que quando a investigação for concluída, verei meu nome limpo”, declarou. Essa defesa enfatiza a necessidade de ser visto como um agente do bem em um ambiente político conturbado.
Posicionamento da Prefeitura
A Prefeitura do Rio, em uma nota oficial, reconheceu que a investigação se originou de uma denúncia formal feita por eles, citando tentativas de interferência na demolição de uma construção irregular naquela área. A administração conduziu sua parte ao relatar a infração às autoridades competentes.
A Prefeitura também mencionou que, embora tenha recebido pedidos para obras na área, optou por não prosseguir com nenhum projeto enquanto a apuração estava em andamento. Adicionalmente, a administração informou que Michael Jhonny Vianna de Azevedo, um ex-assessor parlamentar preso na operação, será exonerado da RioLuz, destacando que sua nomeação foi feita em um contexto onde não havia sinais de irregularidade.
O desenrolar dos acontecimentos e a repercussão pública trarão desdobramentos que podem impactar a política local e suas futuras ações. As autoridades seguem monitorando e investigando para garantir que ações justas sejam tomadas contra aqueles que se envolvem com a criminalidade, mantendo a integridade do processo político.

