O Brasil enfrenta um grave problema relacionado ao desperdício de água tratada, estimando-se que cerca de 40% dessa água se perca antes de chegar às torneiras das residências. Este dado alarmante foi revelado por um estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria GO Associados.
Além de refletir a média nacional, o estudo destacou que 16 estados brasileiros superam essa taxa de desperdício. No Espírito Santo, Mato Grosso, Bahia, Amazonas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Rondônia, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Sergipe, Acre, Maranhão, Pará, Roraima e Alagoas, as perdas são ainda mais significativas, o que demonstra a gravidade da situação em diferentes regiões do país.
Níveis de Perdas por Estado
Os estados que apresentam as maiores taxas de desperdício são Alagoas, com impressionantes 66,90%, e Roraima, com 65,97%. Outros estados como Pará (57,33%), Maranhão (56,68%), Acre (56,48%) e Sergipe (55,10%) também superam a barreira dos 55% de perdas. Esse cenário aponta para uma distribuição ineficiente e a necessidade urgente de melhorias na rede de abastecimento.
As causas do desperdício de água tratada estão relacionadas a diversos fatores que ocorrem durante o processo de abastecimento. Vazamentos nas tubulações, erros de medição e consumos não autorizados são algumas das principais razões que levam à perda desse recurso precioso. Este desperdício não só impacta negativamente o meio ambiente, mas também afeta as receitas e os custos de produção das companhias que operam nesse setor, gerando um ciclo vicioso onde o sistema se torna cada vez mais caro para o consumidor.
Impactos do Desperdício e Possíveis Alternativas
De acordo com o levantamento feito, se as perdas fossem reduzidas significativamente, seria possível economizar até 2,8 bilhões de m³ de água por ano. Esse volume é suficiente para abastecer a população do Canadá durante 12 meses, considerando que o país possui cerca de 41,4 milhões de habitantes. A redução do desperdício de água poderia, portanto, ter um impacto positivo na oferta desse recurso, beneficiando milhões de pessoas que atualmente enfrentam escassez.
O Brasil estabeleceu uma meta ousada para reduzir as perdas de água para 25% até 2033, conforme estipulado pelo Novo Marco Legal do Saneamento. Este marco foi sancionado em 2023 e já se passou mais da metade do prazo. No entanto, o cumprimento dessa meta gera dúvidas, dada a atual situação do saneamento básico no país.
Desafios e Perspectivas até 2033
O Novo Marco Legal do Saneamento visa garantir que 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e que 90% tenha acesso à coleta e ao tratamento de esgoto até o final de 2033. Apesar dessas ambições, um estudo realizado pela Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental) revela que apenas 94 municípios estão avançando de forma significativa rumo à universalização dos serviços de água e esgoto.
Entre as capitais, Curitiba (PR) destaca-se como a única cidade que obteve uma pontuação favorável para ser considerada “rumo à universalização” dos serviços de saneamento. As cidades de grande porte que apresentaram melhor desempenho incluem Leme (SP), Balneário Camboriú (SC) e Santa Bárbara D’Oeste (SP). Por outro lado, as capitais da região Norte, como Belém (PA), Macapá (AP), Manaus (AM) e Porto Velho (RO), têm mostrado um desempenho insatisfatório, evidenciando os desafios que ainda precisam ser enfrentados na busca pela melhoria das condições de saneamento básico no Brasil.
Em suma, o desperdício de água tratada é um problema grave que necessita de atenção e ações imediatas para evitar que essa situação se agrave ainda mais no futuro. O cumprimento das metas estabelecidas no Novo Marco Legal do Saneamento será crucial para garantir o abastecimento de água e a saúde da população brasileira nos próximos anos.

