A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) inicia nesta sexta-feira (12) o julgamento dos recursos apresentados pelos condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A análise será realizada no plenário virtual da Corte e está prevista para seguir até o próximo dia 19.
Os ministros irão examinar embargos de declaração protocolados pelas defesas dos réus, que foram condenados em fevereiro deste ano. Esse instrumento é utilizado para pedir esclarecimentos a respeito de omissões, contradições e erros materiais no acórdão, sem rediscutir o mérito da condenação.
Decisões da Primeira Turma sobre o Caso Marielle
Na ação penal, a Primeira Turma condenou os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, considerados os mandantes dos crimes, a 76 anos e três meses de prisão cada. Outros condenados incluem o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, o major Ronald Paulo de Alves Pereira e o ex-policial militar Robson Calixto Fonseca.
Além das penas de prisão, o colegiado estabeleceu o pagamento de R$ 7 milhões em indenização às vítimas e seus familiares, além da perda dos cargos públicos e a manutenção das prisões preventivas de todos os condenados.
Os recursos foram pautados pelo ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma. No plenário virtual, os votos são depositados eletronicamente pelos ministros ao longo do período estipulado para o julgamento.
Caso Marielle Franco: Contexto e Motivação
A vereadora Marielle Franco foi assassinada a tiros em 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro, juntamente com seu motorista Anderson Gomes. Em 25 de fevereiro, a Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, os mandantes de sua morte, após quase 8 anos do crime.
Domingos, conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro), e Chiquinho, um ex-deputado federal, atuaram juntos para ordenar o assassinato de Marielle, motivados por interesses econômicos em relação à regularização fundiária em áreas dominadas por milícias.
Segundo a condenação, os irmãos Brazão integravam uma organização criminosa ativa na Zona Oeste do Rio, relacionada a milícias, grilagem de terras e formação de currais eleitorais.
A vereadora, que era colega de Chiquinho na Alerj (Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro), teve embates políticos acalorados sobre projetos de regularização urbana e uso do solo na cidade.
Avaliação e Consequências das Conclusões
Além dos irmãos Brazão, os seguintes indivíduos também foram condenados:
- Rivaldo Barbosa: ex-chefe de Polícia Civil que ficou responsável por acobertar o crime (18 anos de prisão);
- Ronald Pereira: policial militar reformado que monitorou a rotina de Marielle para repassar informações aos assassinos (56 anos de prisão);
- Robson Calixto: ex-assessor e confidente de Domingos Brazão, envolvido em atividades de exploração imobiliária irregular em áreas sob influência de milícias (9 anos de prisão).
Os desdobramentos deste caso têm implicações significativas para a sociedade, ressaltando a necessidade de justiça e segurança em ambiente contra corrupção e violência, especificamente em áreas onde milícias operam.

