Na última quinta-feira (28), o II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro presenciou um relato impactante durante o julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho. Uma ex-enteada do réu, agora com 18 anos, compartilhou experiências de agressões físicas e situações traumáticas que rememorou desde a infância. Este teste surge no contexto do quarto dia do julgamento sobre a morte de Henry Borel, um caso perturbador que ocorreu em março de 2021.
Depoimento impactante no julgamento
A testemunha, ao compartilhar suas experiências, descreveu incidentes que ocorreram quando ela tinha entre 3 e 4 anos, onde Jairinho a levava a locais que pareciam ser motéis. Durante uma dessas ocasiões, ele a submeteu a afogamentos sucessivos em uma piscina. Este relato evidencia a manipulação psicológica exercida pelo réu, que aconselhava a criança a não contar nada à mãe, sob o argumento de que isso poderia deixá-la triste. A jovem revelou que as memórias destes abusos a atormentavam, causando reações físicas intensas como pavor, vômitos e a necessidade de se esconder quando via o carro de Jairinho se aproximar da residência.
O sentimento de culpa e a coragem de denunciar
A ex-enteada decidiu romper o silêncio e denunciar os episódios de abuso após a divulgação do caso de Henry Borel na mídia. Ela relatou que sentia uma profunda culpa por não ter falado antes, especialmente após saber da morte do menino. Sua coragem em testemunhar é, sem dúvida, um fio de esperança que pode contribuir para a justiça neste caso tão sensível.
Os relatos da jovem se complementam com outros testemunhos que estão sendo colhidos ao longo do julgamento. Mais ex-companheiras de Jairinho estão sendo convocadas para relatar comportamentos agressivos do ex-parlamentar, indicando um padrão de abuso que pode ser fundamental para a acusação.
Acusações e defesa no caso da morte de Henry Borel
O ex-vereador e sua parceira, Monique Medeiros, são acusados de homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. A acusação baseia-se em um laudo do Instituto Médico-Legal (IML), que aponta que Henry sofreu 23 lesões provocadas por ação contundente enquanto estava sob a custódia do casal. Os defensores do réu sustentam que as agressões não ocorreram e que a morte da criança foi acidental.
A condenação de Jairinho poderá não apenas determinar a sua responsabilidade pela morte de Henry, mas também lançar luz sobre um possível histórico de comportamento abusivo e violento que ele possa ter perpetuado em outras relações, incluindo a da mãe da vítima.
Para todos que acompanham o julgamento, é um momento crucial, onde cada testemunho e relato poderão ser peças-chave no esforço por justiça para Henry e em um apelo mais amplo para a proteção de todas as crianças no Brasil.
-
Monique Medeiros chora ao receber liberdade provisória em julgamento da morte de filho • CNN Brasil
-
Jairinho, padrasto de Henry Borel, em julgamento sobre morte de criança • CNN Brasil
-
Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, em julgamento da morte do próprio filho • CNN Brasil
O impacto emocional nos familiares de Henry e nas testemunhas é palpável a cada sessão. O julgamento representa não apenas uma busca por responsabilidade individual, mas um clamor coletivo para que a sociedade possa se mobilizar contra qualquer forma de violência infantil. À medida que detalhes mais sombrios vêm à tona, fica claro que a história de Henry Borel não deve ser esquecida, e a luta por justiça continua no seio da Justiça.
