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Vídeo em celular de Rangel revela mala de dinheiro de Bacellar

Vídeo em celular de Rangel revela mala de dinheiro de Bacellar

Um vídeo encontrado pela PF (Polícia Federal) no celular do deputado estadual do Rio de Janeiro Thiago Rangel (Avante) mostra uma mala com dinheiro vivo no valor aproximado de R$ 500 mil. Esse se tornou um dos alicerces das investigações sobre o financiamento irregular de campanhas políticas na região.

De acordo com a investigação, o dinheiro foi entregue a Rangel por Rui Carvalho Bulhões Junior, então chefe de gabinete de Rodrigo Bacellar (União Brasil), que já foi presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Um esquema que levanta questões sobre a origem e o destino dos recursos.

O relatório divulgado pela PF indica que a quantia servia para financiar um esquema de campanhas de aliados de Bacellar em Campos dos Goytacazes, na região norte do estado. Este tipo de estratégia é frequentemente associado a práticas ilícitas que comprometem a integridade do sistema político.

O vídeo em questão foi gravado em 4 de julho de 2024 e enviado em conversa com Elexandre Rodrigues dos Santos Silva Filho, que atuou como assessor político de Rangel durante seu mandato como vereador em Campos dos Goytacazes. Ele é apontado como um possível laranja do esquema, o que levanta ainda mais suspeitas sobre a rede de corrupção.

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Relatório mostra vídeo de mala com dinheiro enviado por Thiago Rangel (Avante-RJ) • Reprodução/PF

Após uma ligação, Rangel teria relatado a Elexandre o valor contido na mala, que consiste em R$ 375 mil em notas soltas, R$ 93 mil em uma sacola maior e R$ 40 mil em uma sacola menor, totalizando R$ 508 mil. Esses valores são indicativos de operações financeiras que parecem não se alinhar com a transparência esperada de um servidor público.

Mais tarde, no mesmo dia, o ex-assessor enviou outra mensagem mencionando um depósito de R$ 503.130,25, que a investigação acredita estar relacionado ao valor fotografado na bolsa. Esse tipo de movimentação em dinheiro em espécie é alarmante, especialmente para um cargo tão público.

O dia também foi marcado por mais atividades suspeitas, pois Elexandre enviou outra mensagem ao deputado com uma contabilidade de um posto de combustível, listando entradas do dia 4 de julho de 2024. O relatório destaca um depósito correspondente ao valor anteriormente mencionado, o que levanta um alerta sobre a liquidez dessas operações.

Entretanto, a estratégia de depósitos em espécie chamou a atenção dos investigadores, já que a empresa tinha convênio com uma seguradora para tal prática, o que é atípico. No relatório de contabilidade, foi assinalado um depósito realizado e outro feito pela empresa parceira, totalizando R$ 242.792,30, no mesmo dia. Isso sugere que as práticas financeiras do deputado e de seus associados estavam longe de serem normais.

Eleito deputado estadual em 2022, Rangel foi preso pela PF em 5 de maio, durante a quarta fase da operação Unha e Carne. Nesta fase, a prisão de Bacellar foi decretada em dezembro de 2025, demonstrando a extensão do escopo da investigação.

Após a operação, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, em 7 de maio, manter a detenção do deputado. Os magistrados apoiaram o entendimento do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, reforçando a gravidade das acusações. A decisão teve um impacto significativo na Alerj.

Como consequência, a direção da Alerj decidiu cumprir a determinação e afastou Rangel do cargo no dia 12. A nota da casa legislativa afirmou: “A Mesa Diretora vai cumprir na íntegra as determinações do STF. O parlamentar está afastado de suas funções e seu gabinete será destituído. O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Alerj abrirá um processo disciplinar para apurar o caso.” Essa ação destaca a necessidade de responsabilização em casos de corrupção.

Defesa do deputado

Em nota divulgada no dia da prisão, a defesa de Thiago Rangel afirmou que ele “nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação, local próprio para a apuração dos fatos”. O caminho da defesa é estratégico, buscando minimizar os impactos das alegações de corrupção.

“A defesa ressalta, por fim, que qualquer conclusão antecipada é indevida antes do conhecimento integral dos elementos que fundamentaram a medida”, destacam os advogados, indicando uma disposição para um enfrentamento judicial. O caso de Rangel é um lembrete duro das complexidades que cercam a política no Brasil, onde casos de corrupção frequentemente exaltam a necessidade de uma reforma sistêmica.

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