Alexandre Padilha afirmou, em entrevista ao Bastidores CNN, que as restrições impostas pelo governo de Donald Trump por meio da Lei Magnitsky não impediram a realização de parcerias com empresas e universidades americanas. Segundo ele, a medida não representou um obstáculo para as negociações que vinha conduzindo com instituições dos Estados Unidos.
“Essa coisa dos Estados Unidos eu nem tenho acompanhado porque isso não impediu, por exemplo, que eu fizesse várias parcerias com empresas e com universidades dos Estados Unidos”, declarou Padilha. Como exemplo, ele citou a vacina contra a bronquiolite incorporada ao SUS, resultado de uma parceria com uma empresa sediada nos Estados Unidos que realizou transferência de tecnologia para uma instituição brasileira do sistema público de saúde.
Parcerias estratégicas e cooperação internacional
Padilha afirmou que, diante das restrições impostas, a estratégia adotada foi inversa: em vez de buscar acesso ao território americano, passou a atrair as empresas e universidades para o Brasil. “Pelos motivos mais absurdos, ele não nos quer lá, a gente tem trazido as empresas para cá, as universidades para cá”, disse. Ele acrescentou que o Brasil possui 200 anos de parceria com os Estados Unidos e que essas relações tendem a se ampliar.
Além das parcerias com os Estados Unidos, Padilha destacou a expansão da cooperação internacional com outros países. Segundo ele, o Brasil voltou a produzir insulina após 20 anos de interrupção, graças a parcerias estratégicas com China e Índia, que permitiram a montagem de duas novas plataformas tecnológicas — uma de biológico e outra recombinante. “Cumprimos as nossas parcerias com o Reino Unido, com a Europa”, acrescentou.
Padilha também mencionou que, durante a Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde, em Genebra, realizou reuniões com empresas europeias. Após o evento, ele seguiria para Lyon, na França, onde seriam lançadas as ações de uma rede pública e gratuita de combate ao câncer, em parceria com empresas francesas que preveem investimentos e produção de medicamentos no Brasil.
Avaliação do governo e desafios políticos
Questionado sobre a avaliação negativa do governo nas pesquisas de opinião, Padilha atribuiu o fenômeno ao ambiente de polarização política, que, segundo ele, não é exclusividade do Brasil. “Eu conversei muito com os meus colegas ministros de vários países, tanto do continente americano quanto aqui da Europa. Vários deles passaram por eleições”, relatou, citando interlocutores de Portugal, Espanha, Reino Unido e França.
Padilha também fez críticas a Flávio Bolsonaro, associando-o a escândalos como a “rachadinha”, a “mesada” do “irmão Master” e irregularidades em hospitais federais do Rio de Janeiro. Para ele, à medida que a campanha eleitoral avançar, o governo terá mais espaço para apresentar suas realizações na área da saúde, como recordes de cirurgias eletivas, cobertura vacinal e ações voltadas à saúde das mulheres.

