O governo de Santa Catarina, liderado pelo governador Jorginho Mello, declarou um estado de alerta climático por um período de 180 dias. Essa ação é considerada preventiva e tem como objetivo reforçar estratégias para prevenir alagamentos e outros impactos severos resultantes das chuvas, especialmente em decorrência do fenômeno El Niño.
A iniciativa busca a mobilização antecipada dos órgãos estaduais, possibilitando uma resposta mais rápida e eficiente aos eventos climáticos extremos. O governo estadual anunciou que pretende investir em melhorias no monitoramento do clima, capacitação das equipes e modernização das barragens que são essenciais para a defesa contra enchentes.
Medidas Preventivas e Critérios de Emergência
O decreto, assinado nesta segunda-feira, não estabelece uma situação de emergência permanente, mas fornece um conjunto de critérios objetivos que permitirão que os municípios afetados possam solicitar um estado de emergência. Entre esses critérios estão a precipitação superior a 80 milímetros em um intervalo de 24 horas, o desabrigo de famílias, a interrupção de serviços essenciais e deslizamentos de terra. Além disso, alertas de nível laranja ou vermelho emitidos pela Defesa Civil estadual também servem como base para essas declarações.
O governo ressaltou a importância da mobilização de servidores estaduais para apoiar as ações da Defesa Civil. O uso de recursos do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Fundec) também foi autorizado para custear tanto medidas preventivas quanto operacionais, permitindo que o estado se prepare adequadamente para possíveis desastres naturais.
Aspectos do Fenômeno El Niño
Os estudos mais atuais, tanto nacionais quanto do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), indicam que há uma probabilidade superior a 80% de que o El Niño ocorra já em julho. Em maio, as temperaturas das águas estavam em um estado de neutralidade, mas a expectativa é de que um aquecimento seja registrado a partir de julho, levando a eventos climáticos potencialmente mais intensos.
Este fenômeno é caracterizado por uma alteração significativa nas temperaturas das águas do Oceano Pacífico e pode influenciar diretamente o clima em várias regiões, incluindo o Sul do Brasil. A previsão atual sugere que o El Niño pode atingir sua maior intensidade entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027, com efeitos que devem ser monitorados continuamente por parte das autoridades meteorológicas.
Impacto da Ação Climatológica no Sul do Brasil
Recentemente, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgou informações que sinalizam a possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño ao longo de 2026. Expectativas apontam que esse fenômeno poderá causar chuvas acima da média e temperaturas mais elevadas nas regiões do Rio Grande do Sul durante a primavera e o verão de 2027.
Especialistas alertam que essas condições climáticas podem resultar em sérias consequências, afetando a produção agrícola, especialmente culturas alimentares essenciais como arroz, feijão e milho. O risco elevado de desastres naturais relacionado ao El Niño está sendo acompanhado de perto, uma vez que a combinação do aumento das temperaturas médias dos oceanos e a elevação do nível do mar pode intensificar a frequência e a severidade de inundações e outros desastres naturais.
Os institutos vinculados ao Ministério da Agricultura e à Ciência, Tecnologia e Inovação estão monitorando ativamente esses padrões climáticos e alertando para os possíveis efeitos adversos na produção agrícola e a segurança alimentar no Sul do Brasil.
Com isso, o estado de alerta climático estabelecido pela administração de Jorginho Mello é um passo importante para que a população e os órgãos públicos estejam mais preparados para enfrentar os desafios que podem surgir com a chegada do El Niño. O planejamento proativo, incluindo investimentos em infraestrutura e treinamento de equipes, será fundamental para minimizar os impactos adversos que os fenômenos climáticos podem gerar.
A implementação deste decreto é uma resposta que vai além da necessidade imediata, pois busca criar um sistema de gestão de desastres mais robusto e eficiente, assegurando que o estado de Santa Catarina esteja melhor preparado para enfrentar os desafios que a mudança climática pode trazer nos próximos anos.

