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Leandro Gabiati: Operação da PF e seu impacto no bolsonarismo no Rio

A Operação Sem Refino, iniciada pela PF (Polícia Federal) em 15 de setembro, trouxe à tona uma grave crise política no Rio de Janeiro, com o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o empresário Ricardo Magro, proprietário da refinaria Refit, sendo alvos das investigações. As apurações investigam um suposto esquema milionário de fraude fiscal e evasão de divisas envolvendo um grupo do setor de combustíveis.

O cientista político Leandro Gabiati, diretor da Dominium Consultoria, destacou que os desdobramentos desse caso têm o potencial de desgastar significativamente a imagem do bolsonarismo, já que o Rio de Janeiro é visto como o berço político da família Bolsonaro. Segundo ele, a situação é simbólica, pois um governador do PL sendo envolvido em corrupção impacta diretamente o discurso anticorrupção que caracteriza a atual estratégia política.

“Com a ascensão da Polícia Federal, esse tipo de escândalo acaba minando o discurso de ética e moral que sempre foi vinculado ao bolsonarismo”, comentou Gabiati em entrevista ao jornal WW da CNN Brasil. Para ele, a família Bolsonaro terá que reavaliar sua abordagem política à medida que as investigações avançam. “Eles precisarão pensar em como prestar contas aos eleitores”, disse.

Ele também citou uma reportagem recente da The Economist, que faz um alerta sobre os escândalos de corrupção e a crise de segurança no Rio de Janeiro, ressaltando que esses problemas podem surgir em outras partes do país. Gabiati enfatizou a evidência de uma degradação institucional e a crescente influência do crime organizado nas diversas esferas do poder no estado, incluindo o Judiciário, governo e prefeituras.

Consequências da Operação Sem Refino

Gabiati avaliou que a situação de Cláudio Castro deve se agravar. “Embora ele tenha a oportunidade de esclarecer os fatos, parece que a condição dele possivelmente vai piorar”, opinou sobre a continuidade dos desdobramentos. A Operação Sem Refino foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e resultou no bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos do grupo investigado, além da suspensão de suas atividades econômicas. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão no Rio, São Paulo e no Distrito Federal.

As investigações visam apurar suspeitas de fraudes fiscais bilionárias e movimentações irregulares de capital para o exterior. O foco inclui incentivos fiscais concedidos pelo governo do estado à refinaria Refit em 2023.

Em resposta à operação, a defesa de Cláudio Castro afirmou ter ficado “surpreendida” com os acontecimentos, garantindo a disposição do ex-governador para colaborar com a Justiça e de que sua gestão sempre seguiu critérios técnicos e legais. “É importante ressaltar que a gestão de Castro foi a única a assegurar que a Refinaria de Manguinhos quitasse suas dívidas com o estado”, pode-se ler na nota de defesa, que menciona um montante total próximo a R$ 1 bilhão como valores pagos.

Notas de Defesa e Declarações de Refit

A Refit, por sua vez, negou qualquer irregularidade, afirmando que não se beneficiou de programas de parcelamento fiscal estaduais e que discute as questões tributárias em instâncias judiciais e administrativas. A empresa também ressaltou que jamais falsificou documentos fiscais e contesta a atuação da Receita Federal, que teria impedido a realização de perícias que poderiam confirmar suas alegações de regularidade fiscal.

“Com relação à Operação Sem Refino, esclarecemos que não temos conhecimento dos investigados mencionados como intermediários com os fiscais”, informou a Refit. O caso ainda trouxe à tona a discussão sobre a Tobras Distribuidora de Combustíveis, uma empresa que teve sua licença de operação cancelada, possivelmente ligada a irregularidades de seus acionistas.

Embora a defesa de Castro e as declarações de Refit neguem qualquer má conduta, o clima de incerteza e as repercussões da operação colocam em evidência como as investigações podem impactar profundamente a política estadual e as relações de poder no Brasil. A combinação de corrupção, insegurança e a influência do crime organizado no Rio de Janeiro assinala um momento crítico que precisa ser monitorado tanto local quanto nacionalmente.

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