A Inteligência Artificial na educação tem ganhado destaque recente com a aprovação de diretrizes pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) que visam integrar essa tecnologia na educação básica e no ensino superior do Brasil. O parecer, aprovado na última segunda-feira (11), estabelece orientações para a implementação da IA nas escolas, enfatizando que o professor deve continuar sendo o mediador do aprendizado, essencial na sala de aula.
Em sua essência, o documento reconhece os benefícios da IA, como a personalização do ensino e o monitoramento do desempenho dos alunos, ao mesmo tempo em que discute os riscos e a necessidade de uma abordagem estratégica no seu uso.
Vantagens e Desafios da Inteligência Artificial na Educação
As diretrizes do CNE ressaltam que a IA pode potencializar o planejamento docente e melhorar a experiência de aprendizagem. Por outro lado, especialistas como Igor Ventura, do Grupo Eureka, alertam para a importância de um uso intencional e pedagógico da tecnologia. Estudos indicam que a utilização desmedida da IA pode levar a resultados temporários, o que torna a regulamentação fundamental para assegurar que a tecnologia complemente, em vez de substituir, o trabalho dos educadores.
Em um estudo global envolvendo 21 mil pessoas, foi constatado que 54% dos brasileiros já utilizam IA, superando a média mundial de 48%. Este cenário reflete um avanço significativo, especialmente nas redes públicas de ensino, onde diversas iniciativas foram implementadas para integrar a IA ao dia a dia escolar.
Experiências Práticas com IA na Educação
Um bom exemplo é a plataforma e-Rio, no Rio de Janeiro, que oferece a ferramenta ProfessorIA, desenvolvida para interagir com alunos e professores através de avatares personalizados. Com mais de 134 mil interações, essa tecnologia atende a diversos segmentos, do ensino regular à Educação de Jovens e Adultos (EJA), promovendo também a inclusão.
Essas práticas têm sido acompanhadas por equipes de formação, garantindo que os conteúdos abordados sejam de qualidade e que os professores mediadores estejam capacitados. Além disso, estão sendo realizados aulões virtuais para sanar dúvidas e aprofundar temas estudados.
Na sala de aula, educadores têm usado a IA para otimizar atividades e preparar alunos para avaliações nacionais. No Colégio Estadual Castelnuovo, um projeto chamado “Giroteca Ativa” emprega a tecnologia para simular cenários de aprendizado, ajudando os professores a prever dúvidas que os alunos possam ter durante as aulas. Eduardo Tavares, um dos docentes envolvidos, destaca como essa abordagem facilita o planejamento e a execução de propostas pedagógicas.
Em outra escola, o Colégio Estadual Machado de Assis, o professor de Biologia Henrique Costa utiliza IA para criar simulados personalizados e ajustar o nível de dificuldade das atividades. Ele enfatiza que a tecnologia tem sido uma grande aliada na preparação de listas de exercícios e na adaptação de conteúdos para diferentes perfis de alunos.
Próximos Passos para a Integração da IA na Educação
A aprovação do parecer pelo CNE é um passo significativo na promoção da IA na educação, mas também destaca a necessidade de políticas públicas que apoiem a formação dos docentes. Igor Ventura ressalta que garantir condições estruturais adequadas para a integração ética e responsável da tecnologia no ambiente escolar é fundamental, sempre focando na qualidade do processo de ensino-aprendizagem.
Com a regulamentação adequada, espera-se que as escolas possam utilizar a IA para enriquecer a experiência educacional, tornando-a mais adaptativa às necessidades dos alunos. A regulamentação do CNE é crucial para direcionar a utilização da IA como uma ferramenta que complementa e não substitui o papel dos educadores, reforçando que seu uso deve ser sempre mediado por profissionais qualificados.
